O Pentágono vai abdicar da liderança do comando da NATO responsável pela coordenação da ajuda militar à Ucrânia, numa nova diminuição do seu envolvimento com a aliança, noticiou o site Politico.

O comando do Grupo de Assistência à Segurança (SAS), que desempenhou um papel central no fornecimento de equipamento e treino às tropas ucranianas desde o início da invasão russa em larga escala, será assumido por outro membro da NATO, segundo o site, que cita uma autoridade norte-americana e três fontes conhecedoras do plano, sob anonimato.

A medida significa que Washington deixará de influenciar a formação das forças armadas ucranianas no futuro, num contexto de transferência de responsabilidades na NATO, desencadeada pelo executivo de Donald Trump.

Com sede em Wiesbaden, na Alemanha, o SAS coordena o envio de equipamento militar para a Ucrânia e supervisiona o treino e o apoio logístico às forças armadas de Kiev.

A transição de liderança no SAS levará até um ano, disseram as fontes do Politico, sublinhando que tal não interromperá o trabalho realizado com a Ucrânia.

Embora a NATO lidere o programa, o Comando Europeu dos Estados Unidos continuará envolvido através de um vice-comandante americano.

«O apoio à Ucrânia continua a ser uma prioridade máxima», disse um responsável da NATO, sob anonimato.

O Pentágono tem reduzido o número de oficiais norte-americanos no comando de forças na Europa e cancelou algumas rotações de tropas, reavaliando o posicionamento de forças no continente e alertando os aliados de que não receberão assistência a menos que os seus gastos com a defesa aumentem.

Em fevereiro, o executivo Trump anunciou que iria retirar alguns altos oficiais militares do continente e que o Reino Unido iria assumir o controlo do Centro de Comando Conjunto da NATO em Norfolk, Virgínia.

A Itália assumirá o comando do Centro de Comando Conjunto em Nápoles.

A Alemanha e a Polónia assumirão o controlo do Comando Conjunto em Brunssum, na Holanda, especializado em forças multinacionais.

Desde estes anúncios, os EUA retiraram da Roménia e da Polónia brigadas rotativas do Exército. Trump reverteu posteriormente a decisão sobre a Polónia, mas não foram tomadas medidas para reposicionar os destacamentos.

Num discurso aos ministros da Defesa da NATO em Bruxelas, no mês passado, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os aliados norte-americanos «precisam de se empenhar mais».

Trump «tem sido muito claro sobre este ponto há muitos anos (…) Ao longo de duas administrações, e durante demasiado tempo, a NATO tem sido um tigre de papel e uma via de sentido único. Já chega disso», avisou Hegseth.

Os aliados da NATO têm apoiado amplamente a transferência dos comandos pelos Estados Unidos, embora as capacidades militares de Washington sejam de longe as maiores e mais sofisticadas, além da experiência em cenários de conflito.

“Para nós, esta medida traz mais vantagens do que desvantagens”, disse um responsável ucraniano ao Politico. “Isto reduz os riscos que poderiam surgir da turbulência política nos Estados Unidos e facilita a logística militar no interesse da Ucrânia”.

Ainda assim, “ninguém pode substituir o reconhecimento por satélite americano, a designação de alvos e as capacidades logísticas das aeronaves de transporte pesado dos EUA”.