Numa altura em que mais de um terço da população portuguesa tem uma idade superior a 70 anos, as seguradoras querem ajudar a transformar o mindset da população para que possa viver mais tempo, mas com uma maior qualidade de vida. Esta foi uma das principais mensagens transmitidas no painel ‘Mais vida, melhor vida. O que muda?’, inserido na segunda edição da conferência ‘Seguros Summit 2026’, organizada pelo Jornal Económico, que decorre esta quarta-feira no hotel Dom Pedro, em Lisboa e tem como tema central o impacto da longevidade e da transformação social no setor.

“Temos de mudar o mindset da população para que promovam mais a sua saúde. Este movimento tem de acontecer, mas para isso temos de trabalhar num ecossistema de saúde. Isso passa pelas seguradoras passarem a ser não só pagadoras, mas prestadoras de cuidados de saúde”, afirmou Eduardo Consiglieri Pedroso, Chief Healthcare Officer da Ageas.

O atual CEO da Medis salientou que o tema da longevidade nos seguros de saúde tem um impacto relevante, até porque uma maior longevidade significa na prática um envelhecimento e encarecimento da carteira de clientes. “Começamos a ter uma procura de população mais idosa e temos de ter propostas do ponto de vista financeiro que sejam atrativos para elas. Quanto mais idosa ficar a nossa carteira, mais custos vamos ter”, referiu.

O responsável mostrou-se preocupado com o facto da doença crónica em Portugal já ser uma das mais altas da Europa, algo que vê refletido nas carteiras de clientes da seguradora. “O setor tem de estar preparado para este problema que vai continuar a existir e a crescer se não conseguirmos mudar os hábitos da população, começando pelo exercício e uma nutrição mais adequada”, salientou.

Pedro Martins, professor da Nova SBE considerou que o país vive um contexto desafiador, evidenciando alguns números que mostram que o envelhecimento não dá qualquer sinal de estar a abrandar. “Em 2024 tínhamos uma idade mediana de trabalhadores de 42 anos e o número de trabalhadores com mais de 65 anos no setor privado era de 2,3% e tínhamos 87 mil trabalhadores com mais de 65 anos no país”, sublinhou.

Como tal, o docente defendeu a implementação de incentivos para “um maior envolvimento das empresas com os seus trabalhadores, naquilo que é a sua saúde”, assim como procurarem um alinhamento entre a perspetiva social e privada.

Por sua vez, Afonso Themudo Barata, CEO Mudum destacou que o processo de longevidade passa também pelas seguradoras saberem antecipar o futuro e contribuir para uma sociedade mais resiliente, mas que “nem sempre é fácil explicar a um cliente mais velho que tem de ter um projeto de longo prazo e a um jovem de 20 ou 30 anos que está a iniciar a sua vida, que tem de pensar em poupanças”.

De resto, assumiu que a Mudum fez uma reflexão estratégica sobre como vê a sociedade daqui a 10 anos e onde pode estar como grupo segurador. “Definimos quatro compromissos: continuar com foco no cliente, seja ele cliente ou empresa. Tem de ser uma relação de médio-longo. Segundo temos de ter um ambiente de trabalho onde as nossas equipas estejam motivadas e com confiança. Terceiro sermos líderes na prevenção de financiamento a longo prazo. E por fim, saber aproveitar a revolução tecnológica num ambiente de responsabilidade”, afirmou.