O IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) colocou esta quarta-feira 1.537 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) com maturidade em maio de 2027, a uma taxa média de 2,613%, acima dos 2,307% registados no leilão comparável de março. A procura superou a oferta em 2,08 vezes, evidenciando o forte interesse dos investidores, apesar da subida dos custos de financiamento.
Segundo Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, a evolução das taxas reflete o atual enquadramento macroeconómico, marcado por uma inflação mais persistente. “A subida da taxa surge num contexto de maior pressão inflacionista, refletida nos dados que têm vindo a ser divulgados”, afirmou.
O responsável destaca ainda o impacto do impasse no estreito de Ormuz, que tem mantido os preços do petróleo em níveis elevados, agravando as pressões inflacionistas. “O encarecimento da energia tem impacto direto na economia real, nomeadamente através do aumento dos custos de transporte e de outros custos associados às cadeias de produção e distribuição”, sublinhou.
Neste cenário, os mercados têm vindo a rever em alta as expectativas para a trajetória das taxas de juro dos bancos centrais, o que se traduz em custos de financiamento mais elevados. “Essa perspetiva traduz-se em taxas de juro mais elevadas, tanto nos prazos curtos como nos prazos médios, criando as condições para que o atual leilão registasse custos de financiamento superiores aos observados anteriormente”, concluiu Filipe Silva.