O futuro Centro Cirúrgico Nacional de Maputo vai realizar neurocirurgias, artroplastias e cirurgias da coluna, disse esta segunda-feira a diretora-geral do maior hospital do país, pedindo a formação de anestesistas e técnicos para maximizar o potencial da infraestrutura.
“Temos o caso, por exemplo, da neurocirurgia, área que até agora não estamos a conseguir abordar, mas que, com a implementação de novas tecnologias, iremos conseguir. Temos as próteses do joelho e da anca, situações que também levam à transferência de pacientes para fora do país”, disse a diretora-geral do Hospital Central de Maputo (HCM), Farida Urci.
A responsável falava hoje na cerimónia de lançamento da primeira pedra do Centro Cirúrgico Nacional, naquela unidade hospitalar, afirmando que o empreendimento permitirá igualmente a realização de cirurgias da coluna, uma área em que o hospital dispõe de profissionais especializados, mas carece de tecnologia adequada.
Para a direção do HCM, o futuro centro constituirá uma mais-valia para a população, aumentando a capacidade de intervenções cirúrgicas e de internamento, mas Farida Urci alertou que o reforço das infraestruturas terá de ser acompanhado pela formação de recursos humanos.
Segundo a responsável, a capacitação de profissionais será determinante para reduzir os tempos de espera e aumentar o número de cirurgias realizadas, atualmente de cerca de 25 por dia naquela unidade hospitalar, além de diminuir as transferências de pacientes para o estrangeiro em busca de tratamento.
“Neste momento temos um grande número de cirurgiões, mas, infelizmente, esse aumento não foi acompanhado pelo crescimento dos restantes membros da equipa, como anestesistas especializados, técnicos de anestesia, enfermeiras de anestesia, técnicos de instrumentação e os chamados circulantes, que apoiam o funcionamento dos blocos operatórios”, afirmou.
“É necessário que façamos, desde já, um plano de formação acelerada de anestesiologistas e instrumentistas, para que este acréscimo de blocos operatórios se traduza efetivamente na redução do tempo de espera para cirurgia”, concluiu Farida Urci.
O empreendimento, financiado pela China em 42 milhões de dólares (36,4 milhões de euros), vai compreender oito pisos, ocupar uma área de dois hectares e ter capacidade para 475 camas, das quais 19 em unidades de cuidados intensivos.
A infraestrutura incluirá ainda blocos de internamento e operatório, serviços de urgência, laboratórios, farmácia, áreas de armazenamento de medicamentos, refeitórios e um auditório com capacidade para 100 pessoas.
Contará igualmente com um sistema próprio de abastecimento de água, equipamentos de combate a incêndios, uma estação de tratamento de resíduos hospitalares e um gerador de energia para situações de emergência. Segundo a informação avançada no local, a fase de construção deverá criar cerca de 200 postos de trabalho para cidadãos moçambicanos e terá uma duração prevista de 24 meses.
O Presidente moçambicano afirmou hoje que o Centro Cirúrgico Nacional vai contribuir para reduzir a necessidade de tratamentos médicos especializados no estrangeiro, que representam custos elevados para as famílias e para o Estado, prometendo continuar a investir no setor da saúde.
“Sabemos que ainda temos desafios importantes pela frente. Um deles é o acesso a cuidados cirúrgicos especializados e de elevada complexidade. Durante muitos anos, muitos cidadãos moçambicanos que necessitam de procedimentos cirúrgicos complexos foram obrigados a procurar tratamento fora do país, na África do Sul, em Portugal, na Índia, entre outros países, através de juntas médicas, com custos elevados para as famílias e para o Estado moçambicano”, afirmou Daniel Chapo, no lançamento da obra.