Quando os portugueses decidem mudar de fornecedor de energia, o alvo é quase sempre o mesmo: a fatura da eletricidade. Segundo os dados de junho da Análise de Mercado de Energia do ComparaJá, 70,2% das mudanças de contrato envolveram apenas eletricidade, muito à frente dos contratos que juntam luz e gás, com 21,3%, e do gás isolado, com 8,5%.
O padrão confirma que a luz é a despesa energética que mais mobiliza os consumidores, provavelmente por ser transversal a todos os lares, ao contrário do gás natural, cuja presença varia muito de região para região e de casa para casa.
Também no tipo de tarifa o comportamento é claro. A tarifa simples, com um único preço por quilowatt-hora ao longo do dia, concentrou 92,9% das adesões, deixando a tarifa bi-horária com peso residual. Segundo André Nunes, Team Leader de Energia do ComparaJá, para a maioria das famílias tentar adaptar o consumo a horários específicos não compensa o esforço, e a simplicidade acaba por ser, além de mais cómoda, a opção mais económica.
A geografia das mudanças mostra um movimento cada vez mais nacional. Lisboa continua a liderar, com perto de 31% das adesões, seguida do Porto e de Setúbal, mas distritos como Aveiro e Braga mantêm expressão relevante. Comparar preços de energia deixou de ser um hábito das grandes cidades para se tornar uma decisão financeira transversal ao país.
No conjunto, os dados desenham um consumidor mais atento e mais prático: foca-se onde o impacto é maior, a eletricidade, escolhe a simplicidade e age independentemente de onde vive. É um retrato de mercado que, ano após ano, se vai consolidando.