Há uma empresa portuguesa que está a acelerar na guerra das estrelas, uma referência ao programa de defesa dos EUA na década de 80 que previa um conflito entre as maiores potências mundiais no próprio espaço.
O programa dos EUA já acabou há muito, mas as questões de defesa no espaço estão na ordem do dia e a Neuraspace, de Coimbra, angariou agora quase 16 milhões de euros para acelerar a expansão internacional das suas soluções comerciais e de defesa.
A companhia é especialista em soluções de vigilância espacial e gestão de tráfego espacial, baseadas em inteligência artificial, vigiando 600 satélites no espaço, contando com clientes como a NATO ou a Agência Espacial Europeia (ESA).
“Os recursos captados irão impulsionar o desenvolvimento das capacidades comerciais e de defesa da Neuraspace, com foco nas operações espaciais autónomas, infraestruturas soberanas de deteção e inteligência artificial aplicada à segurança espacial”, explica a empresa.
Do total, 10 milhões têm origem no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com 6 milhões de euros de investimento privado, liderado pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.
“Quando a Neuraspace foi fundada, a nossa missão era tornar o espaço mais seguro. Essa missão evoluiu acompanhando a realidade operacional. Hoje, proteger satélites significa lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segurança operacional e proteção já não são desafios separados. São duas faces do mesmo problema operacional”, disse a presidente da empresa Chiara Manfletti.
Desde que foi criada em 2020 que a Neuraspace tem vindo a crescer, com as receitas a dispararem 350% no último ano.
A empresa monitoriza mais de 600 satélites usados por clientes comerciais e institucionais, incluindo a Agência Espacial Europeia (ESA), mas também a Spire Global, GEOSAT, NanoAvionics, Sidus Space e a U-Space, com a missão de ajudar os operadores a prevenir colisões, aumentar a resiliência operacional e conduzir missões cada vez mais autónomas e seguras.
No setor da defesa, já fechou contratos com a Força Aérea Portuguesa e a NATO, tendo recentemente sido selecionada por um Ministério da Defesa europeu, “reforçando a sua posição como fornecedor de confiança de serviços espaciais para aplicações civis e de defesa”.
Além dos riscos de colisão, os operadores de satélites enfrentam atualmente “ataques cibernéticos, interferências de radiofrequência, falsificação e bloqueio de sinais GNSS (spoofing e jamming), bem como atividades antiespaciais cada vez mais sofisticadas que exigem vigilância operacional contínua e capacidade de resposta rápida”.
Como forma de responder a estas ameaças, a Neuraspace “combina dados provenientes de sensores comerciais e soberanos com determinação orbital de elevada precisão, avaliação de risco e ameaça baseada em inteligência artificial e apoio autónomo à decisão. Esta combinação permite a operadores comerciais, organismos governamentais e organizações de defesa detetar, avaliar e responder com maior rapidez tanto a incidentes operacionais de rotina como a ameaças emergentes”.