Comprar casa em Portugal com crédito habitação depende de quatro números que quase ninguém tem à mão: quanto do rendimento já está comprometido com crédito, que percentagem do imóvel o banco aceita financiar, que prazo a idade ainda permite e quanto é preciso ter de lado antes da escritura.
O lançamento do quiz “Estamos prontos para comprar casa?” surge para ajudar a responder a estas questões de forma rápida, com uma estimativa próxima: são as mesmas perguntas que são feitas a quem chega ao banco para pedir crédito, mas feitas de forma simples e descomplicada, permitindo estimativas para descobrir imediatamente se pode haver esperança em conseguir comprar casa com crédito. Não é uma simulação de prestação nem um decreto, mas sim o diagnóstico que costuma acontecer na primeira reunião que se tem com um banco.
São nove perguntas, não pede dados pessoais para mostrar o resultado, e no fim diz em que ponto a pessoa está e o que pode fazer a seguir. Funciona para quem compra sozinho e para casais, com ou sem apoio do Estado.
E o diagnóstico por vezes não é o que as pessoas esperam. Para Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação do ComparaJá, o bloqueio quase nunca está no ordenado. “As pessoas chegam a pensar que o problema é ganharem pouco, e na maior parte dos casos não é. É não saberem o que o banco vai contar como encargo, o que vai aceitar como entrada e a partir de que ponto a idade limita o prazo. Quando isso fica claro, muita gente percebe que está mais perto do que julgava, e outra percebe que precisa de seis meses para arrumar uma ou duas coisas concretas”, afirma.
Os números explicam por que motivo a pergunta se tornou urgente. A análise de mercado de crédito habitação do ComparaJá coloca a poupança inicial média dos compradores com 35 anos ou mais em mais do triplo do que nos jovens abaixo de 35, e a diferença não se explica pelo salário: explica-se pelos anos de acumulação e por haver, ou não, um imóvel anterior a entrar na operação.
Ao mesmo tempo, as regras apertaram em quatro frentes ao mesmo tempo. O limite da taxa de esforço desceu de 50% para 45%. A margem que cada banco tem para aprovar processos fora dos limites caiu para metade. Passou a haver prazo máximo por escalão etário. E desapareceu a exceção que permitia financiar a totalidade do imóvel a quem vendia a casa própria para comprar outra. Os bancos estimam que a concessão recue entre 5% e 10%.
Vale a pena dizer o que o quiz não faz. Não decide crédito, não avalia imóveis, e os valores de preço por metro quadrado que utiliza são indicativos e variam muito com a localização. É uma ferramenta de orientação: serve para saber se faz sentido começar, não para saber o que um banco vai responder.
Fica, ainda assim, com uma vantagem que nenhuma simulação dá. Das quatro variáveis que decidem o acesso ao crédito, duas não estão ao alcance de quem compra, porque a taxa depende do mercado e o preço depende do vendedor. As outras duas, a entrada disponível e os encargos mensais já existentes, dependem inteiramente de decisões tomadas antes de o processo começar. São essas que o quiz obriga a olhar de frente, e são precisamente as que mudam o resultado.