As bolsas de Nova Iorque arrancaram a semana com desvalorizações, numa altura em que as negociações entre os EUA e o Irão para um acordo de paz no Médio Oriente estão num impasse. Neste contexto, o S&P 500 desceu 0,06% para 7.753,13 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 0,32% para 26.605,36 pontos e o industrial Dow Jones cedeu 0,11% para 53.976,04 pontos.

Trump exige compensação de Teerão por ataques iranianos em resposta. “O Irão está a exigir uma indemnização pelos danos sofridos durante os cinco meses de conflito militar”, escreveu o líder norte-americano, referindo que o assunto não foi discutido “em nenhuma das negociações ou reuniões”.

Reconhecendo ser “uma ideia interessante”, o presidente dos EUA declarou que exige “também indemnizações ao Irão por todas as pessoas que mataram e feriram gravemente com as suas bombas de beira de estrada e nos muitos conflitos pelos quais são famosos”.

Os preços do petróleo negoceiam a subir numa altura em que o otimismo em torno de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz foi atenuado pela insistência do Irão de que os Estados Unidos terão de satisfazer as suas exigências. O Brent dispara 5,12% para 87,83 dólares e o crude WTI sobe 5,32% para 82,34 dólares o barril.

A escalada de tensões levou a que, esta segunda-feira, os preços do petróleo estejam a disparar cerca de 5%, aumentando as preocupações do mercado com uma subida dos preços da energia e, por consequência, da inflação. Este é um cenário que penaliza as ações, já que reforça a ideia de aperto da política monetária da Reserva Federal (Fed).

Pressão energética e reservas em mínimos

A Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR) atingiu 304,8 milhões de barris na semana terminada a 31 de julho, o nível mais baixo desde 1983 — há 43 anos. A administração Trump libertou 172 milhões de barris desde o início do conflito, numa tentativa de conter a subida dos preços, mas os estoques comerciais de crude também caíram para 730,8 milhões de barris, o valor mais baixo desde 1984.

A semana arrancou também com o preço do gás natural a disparar até 10%, regressando a níveis de 2023 e a um dos patamares mais altos desde o início da guerra no Irão. A incerteza em relação ao conflito e níveis de armazenamento abaixo do verificado no mesmo mês do ano anterior pressionam.

O próximo grande teste aos mercados financeiros estará nos dados da inflação norte-americana de julho.

Os investidores aguardam agora a leitura do Índice de Preços no Consumidor (CPI) de julho, prevista para quarta-feira, que poderá alterar a narrativa em torno da inflação. Os membros do Fed permanecem divididos sobre a necessidade de subir as taxas de juro, monitorizando o choque energético decorrente da guerra no Médio Oriente.

Entre os principais movimentos de mercado, as ações da Nvidia caíram 2,86% depois de o Financial Times avançar que a empresa está a preparar um pacote de financiamento de 500 mil milhões de dólares com alguns gigantes de Wall Street — nomeadamente a Apollo Global e a Blackstone — a ser aplicado no desenvolvimento de infraestruturas para inteligência artificial.

A Intel caiu mais de 4%, depois de ter anunciado que vai vender 15 mil milhões de dólares em ações próprias para reforçar o seu balanço.

O calendário de resultados trimestrais é mais leve nas próximas semanas, com mais de 80% das empresas do S&P 500 já a terem reportado. No entanto, várias companhias de infraestrutura de IA — incluindo a CoreWeave, Nebius, Cerebras Systems e Super Micro Computer — deverão ampliar a compreensão dos investidores sobre o ritmo da expansão do sector.