As vendas a retalho na zona euro caíram 0,3% em cadeia em junho, um sinal adicional de que os consumidores europeus continuam sem capacidade para estimular a economia. Embora em termos homólogos as vendas ainda cresçam, o ritmo abrandou significativamente, passando de uma subida de 1,9% em maio para apenas 0,7% em junho, segundo dados oficiais.

Os analistas esperavam uma subida mensal de 0,1%, mas o resultado veio pior, evidenciando a fragilidade da procura interna. A fraqueza do consumo é atribuída a dois fatores principais: o choque nos preços da energia, que penaliza especialmente as famílias de baixos rendimentos, e a incerteza global, que leva os agregados com maior poder de compra a adiar gastos discricionários.

O banco ING sublinha que os preços mais elevados da energia pesam sobretudo nas famílias de menores rendimentos, que têm menos capacidade de suavizar o consumo ao longo do tempo. O peso relativo dos bens essenciais no orçamento desses agregados é maior, tornando o impacto de uma subida de preços mais difícil de gerir.

Por outro lado, as famílias com rendimentos mais altos podem ter adiado gastos não essenciais, respondendo à incerteza elevada, agravada pelo conflito no Médio Oriente e pelo choque energético que afetou a economia europeia.

Ainda assim, a Pantheon Macroeconomics destaca que as vendas a retalho no segundo trimestre cresceram 0,2% face ao trimestre anterior, um resultado marginalmente abaixo dos 0,3% do primeiro trimestre. Contudo, com os preços da energia persistentemente altos, o think-tank antecipa ‘leituras pouco impressionantes’ durante o verão.

As principais economias da zona euro mostram sinais de fraqueza: a Alemanha registou uma queda de 1,1% em junho, quase revertendo o ganho de 1,2% de maio, deixando o crescimento do segundo trimestre em apenas 0,1%. Itália viu uma queda de 0,1% em cadeia, mas manteve um crescimento homólogo robusto de 3,1%. França também registou decréscimo em junho, acompanhando a tendência negativa.