Os investidores internacionais demonstram cada vez mais apetite pelo mercado angolano, nomeadamente pela área das infraestruturas, em particular a saúde, educação e turismo. “Como país em desenvolvimento são setores que saltam logo à vista”, referiu Emanuela Vunge, Managing Partner Prime Advogado, da rede internacional da VdA Legal Partners, no painel ‘Capital e confiança: os motores do investimento entre Angola e Portugal’, inserido no ‘Doing Business Angola’, conferência promovida pelo Jornal Económico e a Forbes África Lusófona, que decorre no Epic Sana Lisboa Hotel esta quarta-feira.

A advogada salientou que a grande preocupação é normalmente perceber o acesso ao mercado e quem são os players de negócios. Por sua vez, destacou que o trabalho jurídico é visto como de assessoria, mas também em alguém que conhece o país, os players públicos e que “ajuda a desbravar e a identificar os riscos e os métodos de litigação dos mesmos”.

Questionada sobre o que é mais importante para melhorar os negócios, tendo em conta o processo de financiamento na economia, Emanuela Vunge, sublinhou que a principal mensagem que passa para o mercado é a transição do envolvimento direto do Estado naquilo que são os negócios.

“Fica claro nos setores do petróleo, gás, indústria mineira, que o papel do Estado está a diminuir e a ser promovida cada vez mais a parte privada”, referiu, acrescentando que esse facto veio contribuir para melhorar a relação público-privada. “A postura da relação entre agentes públicos e privados melhorou muito e a margem negocial mudou”, realçou.

Numa outra vertente destacou também a reforma tributária em Angola, que deixa por um lado, alguma insegurança, mas também antevê aquilo que são as explicações e os novos diplomas aprovados. “O que o Estado angolano pretende enquanto quadro tributário é uma estabilização do meio para alcançar as receitas e aumentar a base tributária”, afirmou.