No nono evento EuroAfrican Forum 2026, realizado na Nova Business School, em Carcavelos, José Manuel Durão Barroso, chairman do fórum, destacou a relação entre Europa e África como “uma das mais determinantes do mundo”. Num contexto de globalização em transformação, marcado por fragmentação e competição, Barroso sublinhou a importância do eixo euro-africano.
“Vivemos um momento de grande transformação, com mudanças profundas e simultâneas”, afirmou, referindo-se a instabilidade política, tensões comerciais, disrupção tecnológica e pressões ambientais. Ele enfatizou que a rapidez e simultaneidade dessas mudanças geram ansiedade nas sociedades.
Barroso também abordou os conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia e a instabilidade no Médio Oriente, que, junto com a pandemia, criaram um novo paradigma económico. “Hoje, empresas e governos procuram mais resiliência do que eficiência nas cadeias de abastecimento”, observou.
Sobre África, defendeu uma visão equilibrada: “África não é apenas um continente de problemas; é um continente de oportunidades”, destacando a juventude populacional, urbanização acelerada e papel crescente na economia global. Insistiu que a relação com a Europa deve ser uma parceria estratégica, baseada em investimento, inovação e respeito mútuo.
Barroso alertou para o risco de agravamento das divisões globais, pedindo uma abordagem cooperativa. “Nenhum continente pode enfrentar sozinho problemas como pandemias ou alterações climáticas”, disse, defendendo soluções multilaterais. Destacou ainda o papel de Portugal como ponte entre continentes, devido às ligações históricas, culturais e económicas.
Concluiu que a aproximação entre Europa e África é uma inevitabilidade histórica e pode servir de modelo para uma ordem internacional mais justa e equilibrada.