O primeiro-ministro, Luís Montenegro, assegurou esta quarta-feira que o Governo trata a aquisição de três fragatas a Itália com “clareza e transparência absoluta”, defendendo a legitimidade do processo movido pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, contra o líder do Chega, André Ventura, e o jornal 24Horas.
Em declarações aos jornalistas na marina de Cascais, após acompanhar as operações do navio-patrulha oceânico “Setúbal” da Marinha Portuguesa, Montenegro sublinhou que o processo de compra das fragatas, avaliado em cerca de 3,9 mil milhões de euros, será acompanhado por uma estrutura de missão técnica e por uma comissão de acompanhamento, que incluirá órgãos de soberania e autoridades de supervisão.
O líder do Executivo afirmou que o Governo é o “principal interessado” em garantir que não subsistam dúvidas sobre os objetivos estratégicos do investimento, que se projetará nas próximas décadas. “Estamos a falar de um investimento que vai perpassar muitas legislaturas e gerações de portugueses”, destacou.
Sobre a decisão de Nuno Melo de processar judicialmente André Ventura, Pedro Frazão e o 24Horas, Montenegro considerou que a “lei e a decência pública se deve aplicar a todos”, defendendo que é “totalmente legítimo” que alguém que sinta ofendidos os seus direitos, incluindo o direito ao bom nome, possa reagir. O primeiro-ministro acrescentou que “o país já não vive no tempo do condicionamento” e que a via é de dois sentidos, sem condicionamentos para políticos ou comunicação social.