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“A Arte da Guerra”: Israel vende a contenção no Irão pela ‘mão livre’ em Gaza e Cisjordânia

Economia Jornal Económico 3 min de leitura

Num cenário de tensões crescentes no Médio Oriente, uma nova estratégia israelita parece emergir, revelando uma troca complexa de concessões. Segundo uma análise intitulada “A Arte da Guerra”, Israel estaria a “vender” a sua contenção em relação ao Irão em troca de uma “mão livre” para agir em Gaza e na Cisjordânia. Esta abordagem, aparentemente paradoxal, reflete uma lógica de prioridades e de sobrevivência política, onde a segurança a longo prazo é negociada com ações imediatas.

A premissa central desta análise é que Israel, ao evitar uma escalada militar direta com o Irão – que poderia desencadear um conflito regional devastador –, estaria a garantir o apoio tácito ou explícito de potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, para operar com maior liberdade nos territórios palestinianos. A troca seria, então, a aceitação de uma ameaça nuclear iraniana latente em troca de uma margem de manobra para esmagar a resistência palestiniana e expandir assentamentos.

Esta estratégia, que evoca os ensinamentos de Sun Tzu, sugere que a verdadeira arte da guerra reside em saber quando lutar e quando recuar. Para Israel, a contenção no Irão não é um sinal de fraqueza, mas sim uma tática para concentrar recursos e esforços nos conflitos mais imediatos e, na sua visão, mais ameaçadores para a sua existência. O Irão, embora seja um adversário formidável, é visto como um problema que pode ser gerido através de diplomacia, sanções e guerra clandestina, enquanto Gaza e a Cisjordânia representam ameaças existenciais mais prementes.

Contudo, esta política de “mão livre” tem custos elevados. A comunidade internacional, incluindo aliados europeus, tem criticado duramente as operações militares israelitas nos territórios ocupados, que resultam em elevado número de vítimas civis e na destruição de infraestruturas. A questão dos direitos humanos e do direito internacional está no centro do debate, e a perceção de que Israel está a usar o Irão como justificação para ações desproporcionais em Gaza e na Cisjordânia pode corroer o seu apoio diplomático a longo prazo.

Por outro lado, os defensores desta estratégia argumentam que a ameaça iraniana é real e que a contenção é a única forma de evitar uma guerra total para a qual ninguém está preparado. Ao mesmo tempo, a necessidade de garantir a segurança interna e o combate ao terrorismo justificariam, na sua perspetiva, as ações em Gaza e na Cisjordânia. A paz, neste cenário, é adiada em nome da segurança.

As recentes escaladas em Gaza, com ataques aéreos e lançamentos de foguetes, bem como as incursões do exército israelita na Cisjordânia, parecem confirmar esta tendência. O governo de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu, enfrenta uma pressão interna considerável, e a resposta aos ataques é vista como crucial para a sua sobrevivência política. A “mão livre” em Gaza e na Cisjordânia, portanto, não é apenas uma questão de segurança, mas também uma forma de consolidar o poder interno.

Em suma, a análise intitulada “A Arte da Guerra” sugere que Israel está a jogar um jogo de xadrez complexo, onde a contenção no Irão é a peça sacrificada para garantir a vitória nos tabuleiros mais próximos – Gaza e Cisjordânia. Esta estratégia, embora possa trazer ganhos a curto prazo, esconde riscos enormes, incluindo o aprofundamento do isolamento internacional e a possibilidade de um conflito regional incontrolável no futuro.

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