A Associação para o Desenvolvimento Económico (Sedes) expressou preocupações significativas sobre o acordo entre a Galp e a Moeve (antiga Cepsa), que afeta a refinaria de Sines, destacando implicações estratégicas para Portugal.

Em comunicado, a Sedes alertou que “as refinarias de petróleo são ativos com grande complexidade tecnológica e muito ‘know-how’ incorporado”, e que “Sines é a única refinaria existente em território português”, enquanto Espanha possui nove.

O acordo, cuja conclusão está prevista para o segundo semestre deste ano, envolve a fusão dos negócios de refinação e comercialização. Caso se concretize, Portugal ficará totalmente dependente de decisões tomadas fora do país para o abastecimento de produtos refinados, além de perder capacidade de investigação e inovação.

A Sedes lembra que Portugal já enfrentou o fecho da refinaria de Matosinhos, que impactou o complexo petroquímico de Estarreja, e alerta para o desinvestimento europeu em refinação, que aumentou a dependência de importações de gasóleo dos EUA, Médio Oriente e Índia.

A associação sublinha que o Estado português, além de acionista da Galp, detém poderes soberanos para salvaguardar ativos estratégicos essenciais à defesa e segurança nacional. O ministro das Finanças já afirmou que o Governo acompanha o processo e protegerá o interesse estratégico da refinaria de Sines.

O acordo prevê a criação de duas plataformas: uma para retalho e mobilidade, co-controlada, e uma plataforma industrial focada em refinação, petroquímica e combustíveis de baixo carbono, na qual a Galp terá participação minoritária.