O Benfica está a ponderar utilizar uma norma estatutária do clube para impedir o investidor norte-americano Tim Leiweke de adquirir uma participação no clube de futebol português, devido às suas participações noutras equipas europeias, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, indica a “Bloomberg”.
Representantes do Benfica informaram membros da equipa de Tim Leiweke que o Artigo 13.º dos estatutos do clube lhe confere o direito de bloquear aquisições de participações acima de 2% por parte de investidores que sejam considerados detentores de interesses concorrentes, afirmaram as fontes, que não podem ser identificadas por o assunto não ser público. O Benfica recorreu à mesma norma em 2021 para impedir o investidor norte-americano John Textor de comprar uma participação de 25%.
As ações do Benfica caíram até 3,3% em Lisboa, a maior queda numa semana, após a notícia da “Bloomberg”. Até agora, nenhuma decisão foi tomada e o negócio ainda poderá concretizar-se. Nos próximos dias é expectável que o conselho de administração do Benfica se reúna para discutir a transação, referiram as fontes à “Bloomberg”. Representantes do Benfica e do investidor recusaram-se a comentar.
O consórcio de Leiweke concordou no mês passado em comprar uma participação de 16,4% a José António dos Santos, o segundo maior acionista da Benfica SAD, como parte de uma estratégia mais ampla de aquisição de participações minoritárias em clubes de futebol europeus através do seu fundo Entrepreneur Equity Partners. O negócio requer a aprovação da casa-mãe, o Sport Lisboa e Benfica, que é detido pelos sócios e controla cerca de 64% da sociedade.
Tim Leiweke, antigo diretor executivo do Oak View Group LLC, investiu recentemente no Venezia FC de Itália, onde exerce agora o cargo de copresidente do comité operacional do clube, enquanto a sua filha, Francesca Bodie, foi nomeada presidente. Representantes da Benfica SAD estão preocupados com o facto de a estratégia da Entrepreneur Equity Partners, de acumular participações em vários clubes de futebol, poder comprometer a independência do clube, disse uma das fontes.
A aquisição da participação no Benfica poderá figurar entre os maiores investimentos estrangeiros num clube de futebol português e marca o segundo investimento norte-americano significativo no Benfica, depois de a Lenore Sports Partners ter adquirido uma participação de 5,24% no clube no ano passado. Leiweke e Bodie não planeiam assumir cargos de liderança no Benfica, disseram as fontes.