A Sonae apresenta resultados do primeiro semestre de 2026 amanhã, dia 29 de julho, e o Bestinver aposta na aceleração de vendas e de rentabilidade, suportados pela unidade de retalho Sonae MC.
A casa de investimento estendeu o modelo de avaliação para 2027 e reduziu o desconto de holding e de complexidade de 20% para 10%, elevando a avaliação por soma das partes para 2,35 a 2,45 euros por ação, face a 2,07 a 2,17 euros anteriormente, o que implica um potencial de valorização de 15% a 20% sobre o último fecho de 2,05 euros.
Apesar de a ação negociar perto do máximo de 52 semanas de 2,16 euros, o relatório considera que em múltiplos de EV sobre EBITDA não está cara face aos pares ou ao histórico, com a Sonae a negociar a 5,2 vezes EV/EBITDA estimado para 2026, contra 6,0 vezes dos retalhistas alimentares e 6,7 vezes do segmento de Saúde, Bem-estar e Beleza.
O Bestinver reitera recomendação de Compra, suportada pelo momento de resultados, pela desalavancagem e por uma rendibilidade de dividendo superior a 3% para 2026-2028, embora reconheça que investidores mais orientados para valor possam preferir aguardar por um ponto de entrada mais atrativo após a forte valorização recente.
A sociedade gestora de fundos de investimento e de pensões independente projeta para o semestre vendas de 5.574 milhões de euros, um crescimento de 6% em termos homólogos, e EBITDA reportado de 585 milhões, mais 12%. Para o segundo trimestre isolado, antecipa vendas 5% acima e EBITDA reportado 10% acima do período homólogo.
A Sonae MC, que representou 75% do EBITDA reportado do grupo em 2025 e é detida em 75,01% pela Sonae, continua a ser descrita como o motor central do grupo. Para o segundo trimestre, o Bestinver estima um crescimento de 5,5% em vendas comparáveis no retalho alimentar, suportado pelo volume, pela imigração, pelo turismo e pelo ganho de quota da marca Continente, e de 6,5% na área de Saúde, Bem-estar e Beleza, onde a Wells lidera em Portugal e onde a Arenal e a Druni sustentam a expansão em Espanha. A Druni entrou em Portugal no terceiro trimestre de 2025 e prevê operar mais de 25 lojas até 2028. A margem EBITDA da Sonae MC deverá expandir-se 49 pontos base para 10,0% no trimestre.
Para a Worten, que pesa 13% das vendas e 10% do EBITDA de 2025, o broker antecipa vendas comparáveis 5,2% acima e recuperação de margem de 100 pontos base no segundo trimestre, com apoio da logística, do canal online e dos serviços. Para a Musti, detida em 79,26%, projeta um crescimento comparável de 2,2% e margem estável em 10,6%.
A dívida líquida deverá subir 3% face ao primeiro trimestre para 3.600 milhões de euros, ou 2,9 vezes o EBITDA dos últimos doze meses, após o pagamento de 172 milhões de euros em dividendos em Maio.
A refletir o momento da Sonae MC, o Bestinver reviu em alta as estimativas de vendas para 2026-2028 em 1% a 3% e de EBITDA reportado em 1% a 5%, passando a prever um crescimento médio anual de 6% nas receitas e de 8% no EBITDA reportado até 2028, com geração de caixa a sustentar expansão orgânica, dividendos e desalavancagem de 2,7 vezes em 2025 para 2,0 vezes em 2028. As novas estimativas de EBITDA para 2026-2028 estão 2% a 4% acima do consenso, por considerar que o mercado está a subestimar a expansão de margem no segmento de Saúde, Bem-estar e Beleza, na Worten e na Musti.