O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, defendeu hoje que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, deve ir ao Parlamento “tão breve quanto possível” para prestar esclarecimentos sobre as polémicas que o envolvem, mas opõe-se à constituição de uma comissão de inquérito.

Carneiro falava aos jornalistas na sede nacional do PS, em Lisboa, após reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na residência oficial de São Bento. O encontro teve como objetivo pedir esclarecimentos sobre as polémicas envolvendo o ministro, que também agendou uma conferência de imprensa para as 18:00.

O líder socialista considerou que os esclarecimentos prestados por Montenegro não dispensam a ida de Luís Neves ao Parlamento. “Manifestei a nossa divergência profunda com a AD e com os partidos que inviabilizaram que o ministro da Administração Interna fosse ouvido na Assembleia da República no seguimento da proposta feita pela IL”, afirmou.

Carneiro sublinhou que “o dever de transparência é um dever de todos os titulares de cargos políticos” e que os esclarecimentos aos jornalistas não substituem o escrutínio parlamentar. Para o secretário-geral do PS, o caso tem três dimensões que exigem esclarecimentos: “construções irregulares em Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN)”, a não entrega da Declaração Única de Rendimentos à Entidade para a Transparência quando Neves liderava a Polícia Judiciária (PJ), e “questões relacionadas com a remoção de prova de crime que está em apreciação pelas autoridades judiciárias”.

O líder do PS afirmou ainda ter comunicado ao primeiro-ministro que o seu partido é “contrário a uma comissão de inquérito” como a proposta pelo Chega, por considerar que tal iniciativa “tenderá a lateralizar as questões que estão em apreço e contribuir para o descrédito das instituições democráticas”.