A casa onde nasceu o ditador nazi Adolf Hitler na Áustria reabriu hoje como esquadra de polícia, após uma renovação para despojar o edifício do peso simbólico e impedir que se tornasse um local de peregrinação para neonazis. A partir de hoje, o edifício alberga o novo centro de polícia da cidade de Braunau am Inn e as instalações da Academia de Segurança, onde vão decorrer cursos de formação para polícias, incluindo disciplinas sobre direitos humanos. Com a nova função, o Governo austríaco pretende integrar o edifício nas estruturas de um Estado democrático, visto que a casa estava associada ao nascimento de Hitler, o ditador que mergulhou o mundo na Segunda Guerra Mundial e foi responsável pelo Holocausto em que foram assassinados milhões de judeus. A renovação transformou completamente a aparência exterior do edifício: o antigo revestimento amarelo, desgastado pela humidade e pelo tempo, foi substituído por uma fachada branca. O projeto arquitetónico vencedor foi inspirado na provável aparência do edifício no século XVII, quando foi originalmente construído. O edifício, com uma fachada simples e um aspeto funcional, possui doze janelas na parte frontal. Ao instalar uma esquadra de polícia no local, as autoridades visam impedir que grupos neonazis o visitem para manifestar admiração por Hitler — um ato considerado crime na Áustria, país anexado pela Alemanha nazi entre 1938 e 1945. Adolf Hitler nasceu na casa a 20 de abril de 1889, embora tenha vivido ali apenas durante os primeiros três anos, antes da família deixar Braunau, cidade que hoje tem 17.500 habitantes e que se situa a poucos quilómetros da fronteira alemã. Reuniões de nazis — e, mais tarde, de grupos neonazis após a Segunda Guerra Mundial — tiveram lugar em Braunau am Inn desde a década de 1930. O distintivo da polícia austríaca foi colocado sobre a entrada principal, enquanto o memorial pelas vítimas do nazismo instalado em 1989 permanece frente ao edifício. O monumento tem a inscrição “Pela paz, liberdade e democracia. Fascismo Nunca Mais. Milhões de mortos servem de alerta”. A inauguração do posto de polícia encerrou décadas de debates sobre a utilização de um edifício carregado de simbolismo — um local que alguns intelectuais e historiadores austríacos citaram como exemplo da luta da Áustria para confrontar o passado nazi. Desde a década de 1970 que o Estado austríaco alugava o edifício para evitar que se tornasse um local de glorificação do ditador nazi. A casa estava vazia desde 2011, quando uma organização não governamental que utilizava o espaço há vários anos para cuidar de pessoas com deficiência intelectual desocupou o imóvel. Após tentativas falhadas de se chegar a um acordo de compra com o antigo proprietário, o Estado expropriou a propriedade em 2016. Uma comissão de peritos criada para determinar o futuro do edifício recomendou que se destinasse a uso social, de beneficência ou administrativo, argumentando que transformá-lo num museu dedicado a Hitler poderia aumentar ainda mais o apelo aos grupos extremistas, enquanto a demolição significaria apagar um período incómodo do passado. As autoridades optaram por convertê-lo numa instalação policial — uma decisão anunciada em 2019 que exigiu um investimento muito superior às estimativas iniciais devido a atrasos na construção. O custo do projeto, originalmente orçado em cerca de cinco milhões de euros, subiu para quase 20 milhões. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) provocada pelo regime nazi liderado por Adolf Hitler fez, segundo os historiadores, entre 70 a 85 milhões de mortes, incluindo o genocídio sistemático de seis milhões de judeus, ciganos, homossexuais e opositores políticos.