Os ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se em Díli, Timor-Leste, no dia 19 de agosto, para debater a situação na Guiné-Bissau e a definição da futura presidência da organização lusófona. O encontro, que integra a XXXI reunião ordinária do Conselho de Ministros, será precedido de reuniões técnicas dos pontos focais e do comité de concertação permanente, que começam na quinta-feira.
O coordenador geral da Comissão para a presidência rotativa da CPLP, Joaquim Fernandes, anunciou em conferência de imprensa que será apreciado um projeto de resolução sobre a Guiné-Bissau, enquadrado no compromisso da organização com a estabilidade, a ordem constitucional e os princípios democráticos. A Guiné-Bissau foi suspensa da CPLP em dezembro, após o golpe de Estado que depôs o então Presidente Umaro Sissoco Embaló e interrompeu o processo eleitoral decorrente das eleições gerais de novembro de 2025.
Em relação à futura presidência da CPLP para o período 2027-2029, Joaquim Fernandes reconheceu que o assunto é sensível, mas confirmou que será discutido na reunião. Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso, com alguns países a apoiar a Guiné Equatorial e outros o Brasil. O Presidente timorense, José Ramos-Horta, já defendeu publicamente que a presidência deveria ser atribuída ao Brasil.
Além destes temas, a reunião vai abordar a agenda estratégica da CPLP para 2027-2033 e a elaboração da Nova Agenda Estratégica para a Consolidação da Cooperação Económica para o período 2028-2033. Está também prevista a assinatura do Acordo Administrativo para a Aplicação da Convenção Multilateral de Segurança Social da CPLP, que visa reforçar a proteção social e a portabilidade dos direitos de segurança social dos cidadãos no espaço da comunidade.
Os chefes da diplomacia vão ainda apreciar uma declaração sobre a Consolidação do Estado de Direito Democrático e os Desafios da CPLP, reafirmando o compromisso dos Estados-membros com os princípios democráticos e o reforço da concertação político-diplomática.
Confirmaram presença na reunião os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, de Angola, Téte António, de Cabo Verde, Manuel Rosa, e da Guiné Equatorial, Siméon Angue. São Tomé e Príncipe será representado pela ministra da Justiça, Administração Pública e Direitos Humanos, Vera Cravid, enquanto o Brasil enviará o Secretário de África e Médio Oriente do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Duarte. Moçambique estará representado pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Maria de Fátima Manso. A secretária executiva da CPLP, a angolana Maria de Fátima Jardim, também participa no encontro.