O partido Chega anunciou que vai avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a liderança de Luís Neves na Polícia Judiciária (PJ). A decisão foi comunicada esta quinta-feira pelo líder do partido, André Ventura, que afastou, para já, a hipótese de apresentar uma moção de censura ao Governo e provocar uma nova crise política.

Em declarações aos jornalistas, Ventura garantiu que a CPI irá avançar independentemente de Luís Neves ser ou não demitido do cargo de ministro da Administração Interna. “A investigação à liderança de Luís Neves na PJ não depende da sua permanência no Governo. O que está em causa é a gestão e as decisões que tomou enquanto dirigente daquela instituição”, afirmou.

A comissão de inquérito pretende analisar alegadas irregularidades na atuação da PJ durante o período em que Luís Neves esteve à frente da corporação, incluindo a condução de investigações de alta sensibilidade política. O Chega critica o que considera uma “instrumentalização” da polícia judiciária para fins políticos e promete “levar esta investigação até ao fim”.

Luís Neves, que foi diretor nacional da PJ entre 2019 e 2024, assumiu posteriormente o cargo de ministro da Administração Interna no XXIV Governo Constitucional. A sua passagem pela PJ tem sido alvo de controvérsia, com várias vozes a questionarem a sua atuação em casos mediáticos.

A oposição já reagiu ao anúncio do Chega, com o PS a considerar a CPI “uma manobra política sem fundamento”, enquanto o PSD optou por não comentar. O Bloco de Esquerda e o PCP mostraram-se disponíveis para analisar a proposta, mas condicionaram o seu apoio à definição concreta dos objetivos da comissão.

O requerimento para a criação da CPI deverá ser entregue na Assembleia da República nos próximos dias. Para ser aprovada, a comissão necessita do voto favorável de pelo menos um terço dos deputados (69 votos). O Chega, com 50 deputados, precisará do apoio de outros partidos para viabilizar a iniciativa.