A Morningstar DBRS considera que a demissão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, não deverá ter implicações imediatas para o rating soberano do Reino Unido, atualmente classificado em AA (alto) com perspetiva estável.
Segundo a agência de notação financeira, embora a saída do chefe do Governo abra um período de transição política e possa gerar alguma incerteza no curto prazo, as fortes instituições britânicas deverão assegurar uma mudança de liderança ordenada, limitando o impacto nos fundamentos de crédito do país.
A eleição do novo líder do Partido Trabalhista deverá estar concluída até meados de julho, sendo expectável que o sucessor assuma o cargo de primeiro-ministro pouco depois. Com esta mudança, o Reino Unido prepara-se para ter o seu quinto primeiro-ministro em cerca de sete anos, prolongando um período de elevada rotatividade na liderança política.
A alteração de liderança, por si só, não justifica uma revisão da notação de crédito do país, afirma a DBRS. Eventuais implicações para o rating dependerão sobretudo da qualidade e consistência da agenda política do próximo Governo, da composição do novo executivo e do compromisso com a atual trajetória da política orçamental.
“Embora antecipemos alguma incerteza política no curto prazo enquanto são escolhidos um novo líder e um novo gabinete, as fortes instituições do Reino Unido e o seu quadro de governação consolidado sustentam uma transição de liderança bem gerida”, declarou Julia Specht, Assistant Vice President da área de Global Sovereign Ratings da Morningstar DBRS.
A responsável acrescenta que a evolução da qualidade de crédito do Reino Unido dependerá, sobretudo, da orientação das políticas económicas e orçamentais no médio prazo.
A DBRS continuará a acompanhar a evolução da situação política britânica, mas enfatiza que a estabilidade institucional do país continua a ser um importante fator de suporte para a avaliação da sua qualidade de crédito.