
Portugal está a assistir a uma mudança de paradigma na procura pelo setor energético e que vai ser impulsionado nos próximos anos por projetos ligados aos data centers e Inteligência Artificial. Como tal, é preciso agilizar os processos de licenciamento para que o país não perca competitividade para o resto da Europa. “Portugal não é dos piores países a licenciar, mas demorar cinco, seis anos a licenciar um projeto que demora 12 a 18 meses a ser feito acaba por ser um bloqueio ao investimento”, afirmou Miguel Stilwell de Andrade, CEO da EDP.
O aviso foi deixado na conferência/debate “O Boom “Data‑to‑Doorstep” em Portugal: Data Centers, Cabos Submarinos e Logística como a Nova Imobiliária Transatlântica”, organizada pela Câmara de Comércio Americana em Portugal, AmCham Portugal e que decorre na sede da sociedade Morais Leitão em Lisboa.
Com a previsão de investimento de 70% em redes para os próximos anos, o CEO considera que é necessário mais investimento em geração, porque se não essa procura não vai existir ou então o país terá de ser capaz de licenciar e gerir toda essa procura, recordando que Portugal cresceu mais de 3% na procura de energia elétrica e prevê-se que assim continue nos próximos anos.
A EDP está a direcionar 70% do seu investimento para os Estados Unidos, mas apesar de tudo o CEO defendeu que a Península Ibérica é tão ou mais competitiva do que outras geografias. “Temos tanto sol aqui como nos EUA ou China. Produzir um eletrão solar aqui é tão ou mais competitivo do que em outros países. Existem muitas realidades dentro dos EUA e dentro da Europa”, salientou.
Por outro lado, assumiu ser “uma vergonha” que as interligações da Península Ibérica com o resto da Europa sejam menores do que acontece por exemplo com a Irlanda, “que é uma ilha no meio do oceano atlântico”.
A finalizar deixou a garantia de que a aposta da EDP vai continuar a ser em energia e lançou um apelo para que se importe cada vez menos gás. “Parece-me óbvio que não vamos voltar a importar gás da Rússia. Não temos nada contra o gás, mas quanto menos gás tivemos de importar melhor. Esse não é o nosso negócio”, sublinhou.