O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, previu que o Egito se junte “na próxima etapa” ao pacto de defesa mútua assinado recentemente entre a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia. A declaração foi feita em entrevista à agência pública Anadolu, neste sábado.
“O Egito já é o nosso parceiro natural em todas as questões. Penso que, na próxima etapa, o Egito estará também connosco no seio da aliança”, afirmou Fidan. Segundo o chefe da diplomacia turca, a visão do presidente do país é expandir o acordo para além dos três membros fundadores, reunindo “todos os países sob este mesmo teto”.
Fidan revelou que outros países manifestaram interesse em aderir, mas alguns pediram para não serem nomeados. “É importante retomarmos mais o controlo da nossa região, porque as potências hegemónicas externas não resolvem os problemas da região, exacerbam-nos”, declarou.
O acordo, assinado na sexta-feira em Meca, vincula a Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia, países de maioria sunita, através de uma cláusula de defesa mútua ao estilo da NATO. O pacto estava em preparação há mais de dois anos e, segundo Fidan, “a aliança não terá diferendos com nenhum país desde que não seja atacada”.
O ministro sublinhou que o objetivo não é enviar uma mensagem ao mundo exterior, mas sim que os signatários se comprometam a não constituir ameaça à segurança dos outros. Reiterou ainda que o acordo não entra em conflito com os compromissos da Turquia perante a NATO, lembrando que os Estados Unidos concluíram acordos semelhantes com países fora da aliança, incluindo Israel.
A Arábia Saudita mantém uma cooperação militar de longa data com o Paquistão, com quem assinou um acordo de defesa mútua em setembro de 2025. Após anos de relações tensas, aproximou-se da Turquia ao longo da guerra no Médio Oriente. Ancara tem investido fortemente na indústria de armamento e expandido as suas capacidades de defesa com projetos conjuntos com países europeus, como Espanha e Itália.
Os principais clientes das empresas turcas são o Paquistão e os Emirados Árabes Unidos, enquanto a Arábia Saudita, terceiro maior importador de armas do mundo nos últimos cinco anos, se abastece sobretudo nos EUA, França e Espanha.
Após a assinatura, a Arábia Saudita salientou que o entendimento não procura criar um “eixo militar” ou “sectário” nem tem “ambições nucleares”, em pleno conflito alargado no Médio Oriente desde a ofensiva israelo-americana, em 28 de fevereiro, contra o Irão. O acordo surge numa fase em que o reino enfrenta ataques de milícias iraquianas e dos rebeldes Huthis do Iémen, grupos xiitas integrados no “eixo de resistência” liderado pelo Irão.