A esmagadora maioria das empresas que utilizam sistemas de gestão SAP prevê realizar uma migração técnica até 2028, mas apenas uma minoria planeia simplificar a sua complexidade estrutural ou reinventar processos com recurso à inteligência artificial (IA), aponta um estudo da consultora Seidor.
O relatório “SAP ERP Modernization 2026”, que inquiriu diretores de sistemas de informação (CIO) de 360 grandes empresas com faturação superior a 100 milhões de euros em nove países da Europa e das Américas, revela que a modernização tecnológica do principal sistema de gestão empresarial será “quase universal”, mas maioritariamente limitada à continuidade técnica.
De acordo com as conclusões da consultora, 94% das organizações analisadas vão avançar para uma migração ou evolução técnica da sua plataforma nos próximos anos. No entanto, apenas 23% preveem incorporar uma “simplificação efetiva” do sistema e somente 15% deverão alcançar uma verdadeira reinvenção operacional.
O estudo identifica duas janelas temporais distintas para este ecossistema empresarial. A primeira, entre 2026 e 2028, será dominada pela migração puramente técnica, com 85% das empresas a apontarem a sua próxima grande fase para este período — fortemente condicionada pelo fim do suporte e calendário de manutenção das versões mais antigas (como o SAP ECC). A segunda janela, entre 2028 e 2032, deverá concentrar os debates sobre a simplificação profunda e a reinvenção de processos.
A SEIDOR detetou ainda uma discrepância entre a motivação inicial e a execução real dos projetos: embora 49% dos gestores pretendam alcançar inovação e 46% procurem melhorar a análise de dados e IA, a maior parte dos orçamentos acaba por ser aplicada apenas na transição de infraestruturas, mantendo os processos antigos inalterados.
A acumulação de desenvolvimentos à medida e a “dívida técnica” são identificadas por 71% dos inquiridos como um obstáculo moderado ou grave à evolução dos sistemas. Ainda assim, nove em cada dez CIO aceitariam adotar processos mais padronizados em troca de um sistema com maior capacidade de evolução futura.
No que toca à Inteligência Artificial (IA), 72% das empresas veem-na atualmente como um mero “remendo” de produtividade ou automação de tarefas sobre o sistema existente. Apenas 24% equacionam substituir processos críticos e só 15% cruzam o potencial da IA com uma verdadeira limpeza de dados e redesenho operacional.
Entre as principais barreiras à modernização profunda, as empresas destacam os custos financeiros (43%), que afetam a migração inicial, a complexidade organizacional para eliminar processos obsoletos (37%) e, por fim, a escassez de talento qualificado no mercado (32%) para desenhar novos modelos assentes em dados e inteligência artificial.
O estudo baseou-se num trabalho de campo realizado pela Seidor no quarto trimestre de 2025 junto de grandes empresas na Argentina, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, Itália, México, Peru e Reino Unido.