A ESET vai investir 40 milhões de euros no desenvolvimento de tecnologias de cibersegurança impulsionadas por inteligência artificial, numa estratégia que procura antecipar as novas ameaças geradas pela rápida adoção de sistemas de IA autónomos e agentes inteligentes. O anúncio foi feito esta quinta-feira, 11 de junho, pela empresa europeia de cibersegurança, que defende a necessidade de adaptar a proteção digital a um cenário tecnológico em transformação.

A decisão surge num contexto em que a própria empresa já detetou um crescimento significativo de componentes utilizados por sistemas de inteligência artificial para executar tarefas, comunicar com serviços externos e interagir com diferentes ferramentas digitais. Desde março de 2026, a ESET analisou cerca de 800 mil componentes deste tipo, dos quais aproximadamente 25 mil foram classificados como suspeitos e mais de 3 mil considerados claramente maliciosos e bloqueados. O volume representa um aumento de 13 vezes face às cerca de 60 mil componentes identificadas no início do ano.

Para Richard Marko, CEO da ESET, a cibersegurança está a entrar “numa era completamente nova”, em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta de defesa para passar a integrar a própria superfície de ataque. Segundo o responsável, o objetivo do investimento é garantir que a IA “fortalece a cibersegurança em vez de a enfraquecer” e desenvolver tecnologias capazes de proteger as organizações num ambiente dominado por sistemas autónomos.

Além da vertente tecnológica, a iniciativa pretende reforçar a independência e a soberania europeia na área da cibersegurança, numa altura em que o desenvolvimento de modelos avançados de IA está concentrado em grandes empresas tecnológicas globais. Nesse sentido, a ESET vai implementar um plano de recrutamento de três anos que elevará a sua equipa de investigação e desenvolvimento para mil investigadores e engenheiros.

O investimento será distribuído por três áreas estratégicas: o desenvolvimento de modelos fundamentais de IA próprios e centrados na segurança, a criação de uma arquitetura de proteção em múltiplas camadas para ambientes de inteligência artificial e a construção de uma nova geração de Centros de Operações de Segurança (SOC) apoiados por IA.

De acordo com Juraj Jánošík, vice-presidente de Inteligência Artificial da ESET, a evolução da IA está a alterar profundamente o panorama da cibersegurança. “As ferramentas de IA estão a tornar-se parte do trabalho quotidiano, os sistemas autónomos estão a expandir a superfície de ataque e as equipas de segurança precisam de formas mais rápidas de responder às ameaças”, afirma.

Entre os projetos previstos está o desenvolvimento do ESET Secure AI Relay, uma camada de segurança destinada a proteger a comunicação entre utilizadores, agentes de IA, aplicações empresariais e modelos de inteligência artificial. A empresa pretende ainda criar mecanismos de proteção ao nível das redes para as comunicações entre agentes autónomos e expandir soluções como o ESET AI Skills Checker.

Na área das operações de segurança, a ESET quer utilizar a inteligência artificial para aumentar a capacidade de deteção e resposta a incidentes, sem eliminar a supervisão humana. A ambição passa por tornar as soluções avançadas de cibersegurança acessíveis não apenas às grandes organizações, mas também às pequenas e médias empresas, através de processos altamente automatizados e mais fáceis de gerir.