A ministra da Igualdade espanhola, Ana Redondo, anunciou a intenção do Governo de Espanha de criar uma “grande aliança feminista” com o Brasil, Paraguai, México e Colômbia. O objetivo principal é combater a violência de género a nível global, partilhando estratégias e medidas bem-sucedidas.
Num debate sobre “Ação global para garantir o acesso à Justiça a todas as mulheres”, no âmbito do encontro Mobilização Global Progressista em Barcelona, Redondo destacou o acordo nacional espanhol contra a violência de género. Este pacto, composto por 460 medidas, foi aprovado por todos os partidos no Congresso espanhol, com exceção do Vox.
“Amanhã [sábado] estarão aqui o Brasil, o México, a Colômbia, o Paraguai e outros países. Vamos explorar com eles a possibilidade de uma grande aliança feminista, porque precisamos de alianças feministas que nos permitam transmitir esta ideia de que um mundo melhor é possível”, afirmou a ministra.
O pacote de medidas aprovado em fevereiro de 2025 visa responder “às novas formas de violência de género”, incluindo as que surgiram com a “revolução digital”. Redondo alertou para o impacto das violências digitais nas gerações mais jovens, frequentemente expostas a uma “pornografia violenta” e a uma educação sexual insuficiente.
Além das medidas para a esfera digital, o acordo pretende combater a “violência vicária” – formas de violência que utilizam terceiros, como os filhos, para causar dor física ou emocional a uma mulher. A ministra afirmou que a Espanha será “provavelmente o primeiro país a recuperar esse conceito e a aplicá-lo a uma lei especial”.
As medidas também visam garantir “autonomia económica às mulheres”, permitindo-lhes “desenvolver o seu próprio projeto de vida, com total liberdade, dignidade e igualdade” após sofrerem violência doméstica.
O encontro Mobilização Global Progressista, que decorre em Barcelona, reúne vários líderes de esquerda mundiais para coordenar ações e partilhar experiências. Entre os participantes estão o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, o Presidente do Brasil, Lula da Silva, e o líder do Partido Socialista português, José Luís Carneiro.