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Estreito de Ormuz: riscos indirectos para mutuários europeus de crédito privado, aponta a DBRS

Economia Jornal Económico 2 min de leitura

Um novo relatório da Morningstar DBRS avalia as implicações de crédito indiretas da perturbação em curso no Estreito de Ormuz para os tomadores de empréstimos privados do middle market europeu, e conclui que a resiliência depende mais dos fundamentos do que da geopolítica.

A perturbação em curso no Estreito de Ormuz — um dos corredores de transporte de energia mais críticos do mundo — está a gerar preocupações crescentes nos mercados financeiros. Mas para os mutuários europeus do middle market no segmento de crédito privado, o impacto é indirecto, selectivo, e amplamente determinado pelos fundamentos de cada empresa, diz a DBRS.

Esta a conclusão central de uma análise publicada pela Morningstar DBRS, que examinou um portfólio de mutuários europeus à luz dos riscos geopolíticos actuais.

A agência analisa se o risco geopolítico elevado se traduz num stress de crédito generalizado ou se permanece um vento contrário seletivo em setores específicos.

O relatório avalia os canais de transmissão, a exposição sectorial e as vulnerabilidades dos balanços — concluindo que o risco de crédito amplo não está materialmente elevado para a generalidade do mercado.

"Concluímos que os potenciais impactos de crédito são impulsionados menos pelo evento geopolítico em si e mais pelos fundamentos subjacentes do tomador de empréstimo", lê-se na nota.

Cerca de 20% dos mutuários do mercado médio europeu apresentam exposição indirecta, concentrada principalmente na manufactura industrial e em modelos de negócio logísticos com maior sensibilidade aos preços de energia e à dinâmica do comércio global.

O impacto opera principalmente através de maiores custos de energia, combustível e inputs, bem como de alterações nos volumes de comércio. Existem evidências limitadas de efeitos secundários imediatos sobre a procura na maioria dos sectores.

A resiliência dos mutuários é determinada principalmente pelas características da estrutura de capital — nomeadamente alavancagem, poder de fixação de preços, margem de liquidez e proteção por covenants — e não pelo risco geopolítico isolado.

O relatório sublinha que a perturbação no Estreito de Ormuz não constitui um ponto de inflexão macroeconómico para o crédito privado de mercado médio europeu. Em vez disso, os analistas enquadram-na como uma "lente de stress útil" para distinguir a qualidade de subscrição entre mutuários.

"A disrupção no Estreito de Ormuz não representa um ponto de inflexão macro para o crédito privado de mercado médio europeu, mas fornece uma lente de stress útil para diferenciar a qualidade de subscrição", diz Elena Perez, Vice-Presidente Assistente, Crédito Corporativo Privado, Morningstar DBRS.

Para os analistas de crédito e investidores institucionais, a mensagem é clara, as empresas com estruturas de capital conservadoras, liquidez adequada e poder de pricing demonstram maior capacidade de absorver a pressão de custos.

As empresas altamente alavancadas com margens estreitas e exposição a cadeias de abastecimento dependentes de rotas afectadas são as que merecem maior vigilância.

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