A corrida à Inteligência Artificial no retalho português já começou, mas esbarra na desconfiança de quem compra. Um novo estudo da Adyen, plataforma global de tecnologia financeira, mostra que 81% das empresas de retalho em Portugal estão abertas a permitir compras totalmente geradas por IA. Destas, 39% definem a tecnologia como prioridade estratégica para os próximos 12 meses.

O entusiasmo dos retalhistas contrasta com a cautela dos consumidores. Apenas 39,2% dos portugueses estão dispostos a deixar um assistente de IA gerir todo o processo de compra, incluindo o pagamento final. Já 32,1% rejeitam firmemente a ideia.

O ceticismo é maior precisamente entre os mais jovens. 35,2% da Geração Z recusa delegar o pagamento final à IA, valor acima dos Millennials com 30,2%. O paradoxo: são também os que mais compram nas redes sociais.

O estudo revela que 43,4% da Geração Z e 37,5% dos Millennials já usam redes sociais para fazer compras, contra 34,5% da média nacional. Para 41,4% dos Millennials e 40,4% da Geração Z, poder comprar direto na página social de uma marca aumentaria a fidelização.

A influência social pesa: 56,4% da Geração Z e 46,7% dos Millennials admitem comprar um produto se virem amigos ou influenciadores a recomendá-lo. Um artigo em “trending” leva 41,4% da Geração Z à intenção de compra.

Os 3 medos que travam a IA no checkout

Para quem hesita em adotar compras automatizadas, os motivos são claros:

  • Perda de controlo: 57,8% preferem pesquisar e decidir por si.
  • Preocupações com privacidade e fraude: 50,2% temem pela segurança dos dados e pagamentos.
  • Medo de erros no pedido: 40,3% receiam que a IA escolha tamanho, cor ou produto errado.

Mesmo entre os adeptos, as exigências são altas: 40,2% exigem total segurança das informações de pagamento, 39% querem devoluções simples e 38% pedem regras claras sobre responsabilidade em caso de erro.

O estudo expõe um paradoxo no comportamento do consumidor português. Apesar do medo de fraude, a complexidade afasta vendas. 22,6% abandonam o carrinho se o processo de segurança for demasiado complexo ou falhar. Outros 29,8% desistem se forem obrigados a criar conta antes de pagar.

Do lado dos retalhistas, cerca de um terço aponta a garantia de segurança total contra fraude como fator mais crítico para adotar a tecnologia. Outros 27% exigem regras claras que os protejam de custos por erros da IA.

“Embora os retalhistas estejam entusiasmados com assistentes de compras baseados em IA, muitos partilham dos receios dos clientes sobre a perda de controlo no checkout”, afirma Carlo Bruno, VP de Produto da Adyen. “O maior obstáculo ao comércio automatizado não é a tecnologia de IA em si, mas sim a construção da confiança necessária para a utilizar.”

O estudo foi conduzido pela Censuswide entre 5 e 20 de maio de 2026, junto de 500 retalhistas e 2.000 consumidores portugueses com idade igual ou superior a 16 anos.