O Governo dos Estados Unidos manifestou à empresa neerlandesa ASML preocupação com a possibilidade de uma das suas máquinas mais avançadas para o fabrico de semicondutores ter chegado à China, noticiou hoje a Bloomberg.

Segundo a agência, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, manifestou a preocupação aos altos dirigentes da ASML durante uma série de reuniões recentes.

A preocupação centra-se num equipamento de litografia por ultravioleta extremo (EUV), considerado essencial para fabricar os semicondutores mais avançados e cuja exportação para a China está proibida pelos controlos impostos por Washington, com o apoio dos Países Baixos.

A ASML rejeitou essa possibilidade e garantiu que nunca enviou uma máquina EUV para a China, nem componentes especificamente concebidos para esse tipo de sistemas.

De acordo com a Bloomberg, a empresa recordou que estes equipamentos, com cerca de 180 toneladas, requerem instalação e manutenção permanente por parte dos seus próprios engenheiros, pelo que considera altamente improvável que algum tenha chegado ao país asiático sem o seu conhecimento.

Nem o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, nem a Casa Branca, nem a ASML fizeram comentários adicionais sobre a informação da Bloomberg.

A notícia surge num contexto de crescentes restrições norte-americanas destinadas a impedir que a China tenha acesso a tecnologia de ponta para o fabrico de chips.

A preocupação de Washington surge meses depois de a Reuters ter noticiado que um grupo de antigos engenheiros da ASML participou no desenvolvimento de um protótipo chinês de máquina EUV, um projeto estratégico com o qual Pequim procura reduzir a dependência relativamente à tecnologia ocidental.

Até ao momento, não há confirmação pública de que uma máquina EUV comercial da ASML tenha sido exportada ou introduzida na China, violando as restrições internacionais.