O setor de gestão de ativos em Portugal registou um comportamento misto no primeiro trimestre de 2026, com o crescimento sustentável dos veículos de investimento coletivo a compensar uma ligeira retração na gestão individual de carteiras, revelam os mais recentes indicadores trimestrais do setor.
O destaque do trimestre vai para o apetite renovado por títulos de dívida pública nacional e por ações domésticas no âmbito dos Organismos de Investimento Coletivo em Valores Mobiliários (OICVM) e Fundos de Investimento Alternativos (FIA), num período marcado pela expansão do número de fundos disponíveis no mercado.
O valor total sob gestão coletiva de ativos registou um crescimento de 0,3% face ao trimestre anterior, consolidando uma robusta expansão homóloga de 18,7% em comparação com o primeiro trimestre de 2025.
O dinamismo do setor refletiu-se também na oferta de produtos: o número de fundos de investimento ativos em Portugal subiu para 622 nos primeiros três meses do ano — uma adição líquida de três fundos face ao trimestre anterior e um aumento expressivo de 103 veículos em termos homólogos.
Nos segmentos de OICVM e FIA, os dados apontam para uma forte rotação de ativos em direção ao mercado doméstico. O montante investido em dívida pública nacional disparou 34,9% no trimestre (alta de 44,8% em termos homólogos), enquanto o investimento em ações nacionais avançou 14,7% no trimestre e 32,9% face ao período homólogo. Em contrapartida, a alocação a ações estrangeiras recuou 1,9% na comparação trimestral, embora mantenha uma valorização homóloga de 15,5%.
A Alemanha reafirmou a sua posição como o principal destino dos investimentos destes fundos, retendo uma quota de 24,4% após crescer 5,2% no trimestre. Portugal surge com 6,6% do total investido, mas em forte aceleração: o investimento em território nacional cresceu 11,3% face ao trimestre anterior e quase duplicou (+96,9%) face ao mesmo período de 2025.
No segmento imobiliário (FII, FEII e FUNGEPI), o valor sob gestão dos FII e FEII cresceu 1,9% no trimestre e 17,3% em termos homólogos, apesar de o investimento em projetos de reabilitação urbana ter recuado 2,3% no trimestre (com uma subida homóloga de 32,2%).
Ao contrário do segmento coletivo, o investimento através de gestão individual de ativos registou uma quebra de 2,3% neste trimestre face ao anterior, fixando-se em 7.820,7 milhões de euros. Em termos homólogos, a queda foi de 4,4%.
A nível de classes de ativos na gestão individual, verificou-se uma forte divergência: o investimento em ações nacionais disparou 28,9% em cadeia, enquanto a exposição a obrigações recuou 3,2% e a dívida pública sofreu uma contração de 2,6%.
Paralelamente, a comercialização de fundos estrangeiros (OICVM) em Portugal manteve uma trajetória de estabilidade, com o montante global colocado a subir 0,6% no trimestre e 13,4% na comparação homóloga.
Liderança de mercado
A Caixa Gestão de Ativos (CGA) consolidou a liderança nos principais segmentos de mercado mobiliário. Na gestão individual de ativos, a CGA detém uma quota de 20,9%, seguida de perto pelo Santander Asset Management (15,3%) e pelo Banco Comercial Português (15,1%). Nos OICVM e FIA, a CGA lidera com 29,4%, secundada pela IM Gestão de Ativos (23%) e pelo Santander (15%).
No setor imobiliário (FII e FEII), a Lynx Asset Manager lidera com 15,5% do mercado, seguida pela Square Asset Management (12,7%) e pela Sierra IG (7,9%). No segmento específico FUNGEPI, a GNB Gestão de Ativos mantém o monopólio com 100% de quota. Na distribuição de OICVM estrangeiros, o ABANCA Portugal lidera o mercado nacional com 16,9%.
O trimestre ficou marcado por uma intensa atividade corporativa e reestruturação de fundos. No segmento imobiliário, destaque para as mudanças de gestão de ativos emblemáticos: o fundo Oceânico III transitou da Interfundos para a Rockmark Asset Management, enquanto o fundo do edifício Torre Oriente passou da Statusdesafio Capital para as mãos da Sierra IG.
Foram ainda constituídos vários novos veículos, incluindo o IMGA GV Portuguese Corporate Debt e o Sixty Degrees Ações Globais PPR nos fundos mobiliários, e as estruturas Strategic Extension, Horizonte Majestoso e Corion sob a forma de sociedades de investimento imobiliário fechadas (SIIMO).