O Goldman Sachs apresentou resultados acima do esperado no primeiro trimestre de 2026, beneficiando de um forte desempenho nas áreas de trading de ações e banca de investimento, num contexto de elevada volatilidade nos mercados globais.
Os resultados surgem num ambiente marcado por instabilidade geopolítica, nomeadamente tensões no Médio Oriente, que aumentaram a volatilidade dos mercados e criaram oportunidades para as áreas de trading.
Paradoxalmente, este cenário adverso acabou por beneficiar bancos de investimento como o Goldman Sachs, que prosperam em períodos de maior atividade nos mercados financeiros.
O banco norte-americano registou um lucro de cerca de 5,63 mil milhões de dólares, equivalente a 17,55 dólares por ação, superando as previsões dos analistas, que apontavam para cerca de 16,5 dólares por ação.
As receitas totais atingiram aproximadamente 17,23 mil milhões de dólares, refletindo um crescimento sólido face ao ano anterior.
O banco norte-americano sublinha que este desempenho marca um dos melhores trimestres da instituição nos últimos anos, evidenciando a sua capacidade de tirar partido de condições de mercado desafiantes.
Um dos principais motores dos resultados foi o negócio de equities trading (negociação de ações), que registou receitas recorde de cerca de 5,3 mil milhões de dólares, um aumento significativo impulsionado pela volatilidade global.
Em contraste, a divisão de fixed income (obrigações, moedas e matérias-primas) apresentou uma queda de cerca de 10%, refletindo menor atividade em mercados de taxas de juro e crédito.
Forte recuperação da banca de investimento
Outro destaque foi a área de banca de investimento, cujas receitas cresceram cerca de 48% em termos anuais, impulsionadas por um aumento das fusões e aquisições (M&A) e operações no mercado de capitais.
Entre os negócios relevantes estão grandes operações corporativas e uma retoma gradual da atividade global, com o volume de M&A a atingir cerca de 1,38 biliões de dólares no trimestre.
Apesar de o mercado de IPOs ainda se manter cauteloso, há expectativas de grandes ofertas públicas nos próximos meses.
A divisão de gestão de ativos e patrimónios registou um crescimento de cerca de 10%, apoiada pelo bom desempenho de fundos de crédito privado e pela expansão de produtos como ETFs.
Este segmento continua a ser uma área estratégica para diversificar receitas, reduzindo a dependência do trading.
Apesar dos resultados positivos, as ações do banco registam alguma pressão no pré-mercado, refletindo preocupações dos investidores com riscos macroeconómicos e geopolíticos.
Ainda assim, o desempenho operacional demonstra resiliência e posiciona o Goldman Sachs como um dos principais beneficiários da retoma do negócio de fusões e da atividade nos mercados financeiros.