O número de insolvências em Portugal aumentou 4,8% no primeiro semestre de 2026 face ao período homólogo, para 1.134 processos, contra 1.082 registados entre janeiro e junho de 2025, segundo dados divulgados pela seguradora de crédito Allianz Trade.
De acordo com o relatório, o crescimento das insolvências não foi linear ao longo do semestre. Março e Abril registaram os aumentos mais expressivos, com subidas homólogas de 22,2% e 21,0%, respetivamente, enquanto fevereiro foi o único mês a registar uma queda, de 16,3%. Junho fechou o período com um crescimento de 17,8% face ao mesmo mês de 2025.
“Em síntese, o primeiro semestre de 2026 evidencia um crescimento moderado das insolvências, mas também confirma que a evolução do risco empresarial permanece bastante diferenciada entre segmentos de mercado. A leitura dos dados demonstra que as pressões continuam particularmente concentradas nas microempresas, nas empresas em fases mais iniciais de desenvolvimento e em setores específicos da economia, não sendo possível extrapolar uma deterioração uniforme do tecido empresarial português”, revela a seguradora.
Maiores insolvências somam mais de 113 milhões em volume de vendas
As cinco maiores insolvências do semestre, medidas pelo volume de vendas das empresas, totalizaram 113,3 milhões de euros.
A lista é liderada pela Sicasal-Indústria e Comércio de Carnes, do setor agroalimentar, com vendas de 42,4 milhões de euros, seguida pela Julio Fernandes Cartuxo-Laboratório de Prótese Dentária, do setor farmacêutico, com 20 milhões de euros.
Completam o top cinco a Celeste Actual (19,2 milhões de euros), a Techinfor (15,9 milhões de euros) e a Bracar-Indústria e Comércio Alimentar (15,8 milhões de euros), sendo que as cinco maiores insolvências pertencem a empresas com mais de dez anos de existência.
Microempresas mais afetadas
A Allianz Trade constata que, em termos de dimensão, as microempresas continuam a ser as mais afetadas, representando 67,64% do total de insolvências em 2026 (767 casos), um peso superior ao verificado um ano antes (64,51%). As pequenas empresas registaram uma quebra de 10,4% no número de processos, para 199, enquanto as médias empresas somaram 54 insolvências, mais 12,5% do que no ano anterior.
Quanto à antiguidade das empresas insolventes, mais de metade (50%) tinha mais de dez anos de existência. As empresas com menos de dois anos de atividade, apesar de representarem a fatia mais pequena do total, registaram o maior crescimento relativo, com uma subida de 18,2% no número de casos.
Já na distribuição geográfica, o distrito do Porto manteve-se como o que mais insolvências concentrou, com 262 casos, mas foi o único entre os grandes distritos a registar uma queda homóloga, de 10,3%. Lisboa somou 246 processos, mais 10,8%, enquanto Braga cresceu 7,7%, para 153.
Os aumentos mais acentuados, em termos percentuais, verificaram-se em distritos com menor expressão absoluta: Vila Real mais do que triplicou o número de insolvências, de quatro para 11 casos, e a Madeira registou um salto de 138,5%, de 13 para 31 processos. Em sentido contrário, Coimbra (-28,6%) e Santarém (-24,3%) foram os distritos com as maiores quebras.
Por setor de atividade, os Serviços mantiveram-se na liderança, com 289 insolvências, mais 18,9% do que no primeiro semestre de 2025, seguidos pela Construção, com 212 casos e uma subida de 15,2%. O Retalho e os Têxteis, os dois setores seguintes em volume, registaram quebras de 14,0% e 7,0%, respetivamente.
Entre os setores com menor expressão, destaque para o crescimento acentuado, ainda que a partir de bases reduzidas, nas Farmacêuticas (de uma para nove insolvências) e nas Commodities (+25,0%).