O investimento em imobiliário comercial em Portugal registou um volume de 1.420 milhões de euros no primeiro semestre, um aumento de 11% em relação ao período homólogo. O primeiro trimestre contribuiu fortemente para este resultado, com 930 milhões de euros, enquanto o segundo trimestre registou 490 milhões de euros. O capital estrangeiro representou 65% das transações, com os restantes 35% a serem de origem nacional, segundo os dados do relatório ‘Market Dynamics’ da consultora JLL.
Setores em destaque: retalho e hotelaria
Os setores do retalho e da hotelaria foram responsáveis por dois terços das transações, com volumes de 34% e 32%, respetivamente. Na hotelaria, a venda do resort Ritz-Carlton Penha Longa e a aquisição do Hotel Corinthia Lisbon, por cerca de 150 milhões de euros, impulsionaram os resultados. O setor hoteleiro gerou 2.360 milhões de euros em receitas até maio de 2026, um crescimento homólogo de 5,7%, refletindo uma estratégia de otimização de receitas e foco crescente nos segmentos premium e de luxo. A diária média nacional aumentou 1,8% para 154 euros, elevando o RevPAR para 97 euros (+0,3%). O pipeline de desenvolvimento mantém-se robusto, com 84 unidades em construção, correspondentes a 7.970 quartos, dos quais 56% nos segmentos upscale e luxo.
Retalho: marcas de luxo e rendas prime estáveis
No retalho, destacaram-se transações de portefólios de centros comerciais, retail parks e a venda do centro comercial Aqua Portimão. A procura por espaços de comércio de rua permaneceu elevada em Lisboa e no Porto, com as marcas de luxo a mostrar interesse pela Avenida da Liberdade. As rendas prime mantiveram-se nos máximos: 160 euros/m²/mês no Chiado, 65 euros/m²/mês na Avenida dos Aliados, 50 euros/m²/mês na zona dos Clérigos e 90 euros/m²/mês na Rua de Santa Catarina.
Logística e indústria: crescimento sustentado
O setor industrial e logístico captou 13% do capital investido, com destaque para a venda de um portefólio logístico por cerca de 90 milhões de euros. A atividade ocupacional totalizou 199.180 metros quadrados no semestre, distribuídos por 30 transações, com a logística a representar 82% do total. A Grande Lisboa concentrou 52% do volume, e o Porto 25%. Entre as operações relevantes, o pré-arrendamento de 34.700 metros quadrados pela ID Logistics no novo parque da Logicor, na Quinta do Barrão, Montijo. As rendas prime mantiveram-se em 7 euros/m²/mês, com aumentos em localizações como a CREL Norte (4,5 euros/m²/mês) e a zona Porto de Leixões-Aeroporto (6 euros/m²/mês).
Escritórios: procura moderada, mas rendas estáveis
Os escritórios representaram 6% do investimento total, com vendas como o edifício Office Cais e o imóvel na Rua Barata Salgueiro 28, adquirido por cerca de 20 milhões de euros por uma joint-venture liderada pela Osborne+Co e Adriparte, que será convertido em residencial de luxo. Em Lisboa, a absorção foi de 66.900 metros quadrados, refletindo uma moderação da procura, mas as rendas prime mantiveram-se nos 32 euros/m²/mês. No Porto, a absorção totalizou 15.850 metros quadrados, um crescimento homólogo de 46%, com rendas prime firmes nos 21 euros/m²/mês.
Residencial: preços sobem, transações descem
Os preços residenciais aumentaram 14% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, mas o volume de transações desceu 7% para 75.860 unidades. Em Lisboa, os preços subiram 13% para 5.770 euros/m², com transações a caírem 11%. No Porto, os preços cresceram 9% para 4.030 euros/m², com queda idêntica nas transações. As conclusões cresceram 4% no primeiro trimestre, para 6.930 fogos, e o licenciamento recuperou para um crescimento de 3% até maio.
Perspetivas positivas para o resto do ano
Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal, afirma que os resultados reforçam a capacidade do mercado para atrair capital num contexto de incerteza internacional. “As perspetivas para a segunda metade de 2026 permanecem favoráveis. O mercado continua a beneficiar de fundamentos sólidos, procura diversificada e crescente atenção a segmentos como os data centres.” Andreia Almeida, Head of Research da JLL, sublinha que “Portugal continua a afirmar-se como um destino imobiliário de referência na Europa, combinando resiliência e competitividade.”