As próximas eleições legislativas israelitas, as primeiras desde o ataque inédito do islamista palestiniano Hamas, a 7 de outubro de 2023, realizar-se-ão em 27 de outubro, anunciou hoje a conselheira jurídica do Parlamento, Sagit Afik.

“Uma vez que a atual legislatura deverá cumprir o seu mandato até ao fim e que as eleições já estão fixadas por lei para 27 de outubro, sem que se preveja encurtar o mandato da Knesset, não é necessário aprovar uma ‘lei de dissolução’ da Knesset’, explicou Afik num comunicado citado pelas agências internacionais.

As eleições de outubro são amplamente consideradas como um referendo à liderança do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e surgem na sequência da conclusão do mandato completo de quatro anos, que termina na próxima semana.

Se o calendário for cumprido, estas serão as primeiras eleições convocadas na data estabelecida por lei em Israel em cerca de 40 anos e as primeiras em que um Governo completa o seu mandato em mais de meio século, depois de, no mês passado, a oposição ter fracassado na sua tentativa de promover eleições antecipadas através da dissolução da ‘Knesset’, o parlamento israelita.

A iniciativa foi então rejeitada por 61 votos contra 53, depois de os partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá, parceiros da coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, terem retirado o seu apoio após terem chegado a um acordo preliminar com o Governo sobre a controversa lei do serviço militar para os ultraortodoxos.

Em junho de 2024, o Supremo Tribunal de Israel determinou que o Exército deveria começar a recrutar judeus ultraortodoxos após o termo da disposição temporária que lhes permitia ficar isentos do serviço militar obrigatório.

A decisão levou o Governo a apresentar um projeto de lei para preservar grande parte dessas isenções, embora preveja a incorporação de uma parte desta comunidade ao serviço militar.

A questão do serviço militar dos ultraortodoxos tornou-se um dos principais focos de tensão política em Israel, especialmente desde o início da guerra na Faixa de Gaza, que aumentou as necessidades de efetivos do Exército e obrigou a alargar o serviço obrigatório e a mobilizar dezenas de milhares de reservistas.