As 100 maiores petrolíferas e gasistas mundiais estão a ganhar 30 milhões de dólares extra por hora desde que a guerra começou, com o disparo nos preços.

Se o preço do barril se mantiver nos 100 dólares até ao final do ano, a petrolífera saudita Saudi Aramco vai ser a maior beneficiada, com lucros extra de 25 mil milhões de dólares.

Segue-se a Kuwait Petroleum (12 mil milhões) e a americana ExxonMobil com 11 mil milhões.

O top 10 fica completo com a russa Gazprom, a americana Chevron, a PetroChina, a brasileira Petrobras, a inglesa Shell, a russa Rosneft e a emirati ADNOC.

Com o preço a rondar os 100 dólares, as maiores companhias do setor encaixam por mês 23 mil milhões de dólares extra.

Até ao final do ano, os lucros extraordinários vão atingir 234 mil milhões de dólares, se o preço se mantiver na casa dos 100 dólares por barril, segundo uma análise da Rystad/Global Witness, citada pelo “Guardian”.

Portugal está entre os países europeus que defende a criação de uma taxa sobre lucros extraordinários na energia, tal como sucedeu durante a invasão da Ucrânia.

“Tornaria possível financiar alívio temporário, especialmente para consumidores e travar aumento da inflação, sem colocar fardos adicionais nos orçamentos públicos”, segundo a carta dos ministros das Finanças de Portugal, Alemanha, Espanha, Itália ou Áustria.

Só as três petrolíferas russas (Gazprom, Rosneft e Lukoil) vão ganhar mais 24 mil milhões de dólares.

A guerra tem estado a beneficiar as contas do Kremlin, logo facilitando o financiamento da invasão da Ucrânia. As receitas das exportações russas de petróleo atingiram um valor recorde em março: 713 milhões de euros por dia, mais 50% face a fevereiro.

“Esta crise de petróleo e gás ilustra mais uma vez o custo da nossa dependência de combustíveis fósseis voláteis. Apelos ao aumento da produção fóssil, e recuos em medidas carbono zero nesta nova crise (…) vão minar a nossa segurança energética e aumentar a nossa exposição aos impactos climáticos”, segundo Jess Ralston da Rystad.