O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta terça-feira que espera retomar os bombardeamentos contra o Irão se até ao final desta quarta-feira não houver nenhum acordo entre as duas partes. “Espero bombardear o Irão porque acho que essa é a melhor atitude para se ter em campo”, disse Trump na CNBC. “Estamos prontos para entrar em ação. Os militares estão ansiosos para começar”. E afirmou ainda que não está interessado em estender o cessar-fogo por mais tempo: “Não quero fazer isso. Não temos assim tanto tempo”.
As declarações foram acompanhadas por uma publicação nas redes sociais na qual Trump acusou Teerão de ter “violado o cessar-fogo inúmeras vezes!” – uma alegação que pareceu preparar o terreno para justificar o regresso dos ataques.
Mesmo assim, na altura destas declarações, Trump ainda esperava que uma nova ronda de negociações pudesse acontecer. Esperava-se que JD Vance e o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, se reunissem em Islamabad esta quarta-feira, mas – numa linha de tempo que não é fácil de seguir – o vice-presidente norte-americano era visto na Casa Branca na tarde de terça-feira, o que tornava improvável que chegasse a tempo às negociações. Segundo a imprensa norte-americana, a Casa Branca não esclareceu se a sua presença nos Estados Unidos queria ou não dizer que as negociações estavam canceladas.
O que se sabe ao certo é que o Irão voltou a dizer que as negociações estão à partida enformadas de vários vícios e que não as observa como tendo um significado político valioso. Nesse contexto, o regime afirmou que ainda não decidiu se participará nas negociações no Paquistão. De qualquer modo, valha a verdade, Teerão fica a 2.000 km de Islamabad, um pedaço menos que os 11.500 km entre Washington e a capital do Paquistão. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse à TV estatal iraniana que “as ações dos EUA contra dois navios iranianos equivalem a ‘pirataria no mar e terrorismo de Estado’” – sendo essa uma das razões usadas para o Irão manter toda a comunidade internacional na dúvida sobre se vai ou não estar presente. Outra das razões apontadas pelo regime de Teerão resulta do facto de, na segunda-feira, tal como o JE reportou, a administração Trump ter voltado a exercer sanções sobre vários iranianos, acusados de serem o suporte financeiro do regime.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que os ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco, reunidos no Luxemburgo, concordaram em aumentar sanções contra o Irão para incluir os responsáveis pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Kallas também disse ter solicitado aos ministros que reforcem a missão naval da União no Médio Oriente, que atualmente protege navios de ataques do grupo rebelde Houthi do Iémen no Mar Vermelho.
Entretanto, no Líbano (ou em Paris)
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, está de visita a França e, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que uma delegação libanesa participará nas negociações entre Israel e Líbano em Washington na quinta-feira com um objetivo claro: “o que queremos obter, através destas negociações, é a retirada completa das forças israelitas do Líbano”.
O antigo protetorado francês mereceu o apoio de Macron: “vamos ajudar o governo libanês o máximo possível para se preparar para essas negociações e para elaborar um plano para recuperar totalmente a sua soberania”. O Líbano pretende iniciar negociações diretas com Israel, afirmou o primeiro-ministro Salam. “Estamos a seguir este caminho, convictos de que a diplomacia não é sinal de fraqueza, mas sim um ato de responsabilidade, a fim de não deixarmos pedra sobre pedra na busca pela restauração da soberania do nosso país e pela proteção do nosso povo. Estas negociações serão desafiadoras e exigirão o apoio ativo de todos os nossos amigos e parceiros”, afirmou.
Nawaf Salam não se furtou a comentar o facto de o Hezbollah se manter à margem das negociações – até porque Israel, supostamente, não aceitaria a sua presença. “Não estamos à procura de um confronto” com o grupo apoiado pelo Irão, disse. “Gostaria de evitar um confronto com o Hezbollah. Mas acreditem, não vamos deixar que o Hezbollah nos intimide”.