Mercado global de seguros atinge 7,1 biliões de dólares, mas Bain alerta para sustentabilidade dos ganhos
Os prémios globais de seguros duplicaram nos últimos 15 anos, atingindo 7,1 biliões de dólares em 2025, mas a melhoria da rentabilidade do setor reflete sobretudo fatores cíclicos e não uma transformação estrutural, segundo o Global Insurance Report da consultora Bain & Company, divulgado hoje.
De acordo com o estudo, o crescimento deverá manter-se acima da média registada na década anterior em praticamente todas as regiões e segmentos, incluindo os seguros de property and casualty (P&C), vida e saúde. Mas a Bain sublinha que os ganhos de rentabilidade observados em 2025 resultaram principalmente da subida dos prémios e de um ano com menos perdas provocadas por catástrofes naturais, fatores que poderão não se repetir nos próximos exercícios.
"As seguradoras devem aproveitar o atual momento favorável, mas não podem assumir que ele representa uma vantagem estrutural. A criação de valor dos próximos anos dependerá da capacidade para reduzir o custo do risco e tornar os seguros mais acessíveis", afirmou Francisco Montenegro, partner da Bain & Company, citado no relatório.
Segundo a consultora, persistem problemas estruturais que limitam o desenvolvimento do setor, nomeadamente a subida dos preços dos seguros de habitação e automóvel, que tornou a cobertura menos acessível para muitas famílias. No segmento de vida, o acesso também diminuiu devido à maior complexidade dos produtos e à concentração da mediação nos clientes de maior valor, o que agrava a falta de aconselhamento técnico apesar da procura crescente por proteção financeira.
O relatório aponta ainda lacunas de proteção nas áreas da saúde, mortalidade, catástrofes naturais e cibersegurança, que a Bain considera representarem oportunidades de negócio para as seguradoras desenvolverem soluções mais acessíveis.
Quanto à inteligência artificial, a Bain constata que o investimento crescente em dados e tecnologia ainda não se traduziu em ganhos significativos de produtividade. Na última década, o volume global de prémios emitidos duplicou, enquanto os rácios de despesas caíram apenas um ponto percentual. Desde 2022, as 30 maiores seguradoras da América do Norte e da Europa reduziram as contratações em quase 50%, um indicador que a consultora considera um possível primeiro sinal de ganhos de eficiência, ainda que insuficiente por si só.
A Bain considera que a próxima fase de crescimento do setor dependerá menos da evolução dos preços e mais da capacidade das seguradoras para reduzir o custo do risco. Na gestão de sinistros, a consultora estima que tecnologias de prevenção e mitigação podem reduzir custos entre 10% e 20%. Na distribuição, ferramentas de IA e aconselhamento digital personalizado poderão facilitar o acesso a produtos mais complexos, enquanto nas operações a IA agêntica deverá transformar os processos administrativos e a gestão de sinistros.
"A inteligência artificial, os modelos de prevenção e as novas formas de distribuição vão alterar profundamente a cadeia de valor do setor. As seguradoras que conseguirem reduzir o custo do risco serão também aquelas que criarão maior valor para clientes e investidores", concluiu Montenegro.