
O mercado global do luxo deverá estabilizar em 2026, depois de vários anos marcados pela volatilidade económica e geopolítica, num contexto em que a inteligência artificial (IA) e a crescente procura por experiências estão a redefinir o setor, segundo um estudo divulgado pela consultora Bain & Company.
De acordo com o estudo, realizado em parceria com a Altagamma, o mercado global do luxo atingiu 1,4 biliões de euros em 2025 e deverá manter-se estável este ano, numa fase em que o crescimento passa a depender menos da venda de bens tradicionais e mais da capacidade das marcas responderem às novas preferências dos consumidores.
A investigação identifica quatro tendências que estão a transformar o setor: a consolidação do luxo experiencial, a alteração dos principais mercados geográficos, a mudança na perceção do conceito de luxo e o crescente impacto da inteligência artificial na descoberta e decisão de compra.
Segundo a Bain & Company, cerca de metade dos consumidores já utiliza ferramentas de IA durante a jornada de compra. Um em cada quatro recorre a estas tecnologias para descobrir marcas e produtos, enquanto dois em cada três as utilizam para comparar opções antes da decisão final.
O estudo alerta que esta evolução obriga as marcas a reforçarem a sua presença nos novos ecossistemas digitais, sob pena de perderem visibilidade junto dos consumidores que recorrem cada vez mais à inteligência artificial como ponto de partida para as suas pesquisas.
A procura por experiências de luxo continua igualmente a crescer a um ritmo superior ao dos bens tradicionais, sendo atualmente 1,5 vezes mais elevada. Hotelaria de luxo, jatos privados, iates, cruzeiros e alta gastronomia estão entre os segmentos mais resilientes, refletindo uma procura crescente por experiências personalizadas, autenticidade e bem-estar.
O relatório indica ainda que as reservas para experiências imersivas nas áreas da restauração, lazer e entretenimento aumentaram 30% face ao ano anterior, enquanto as viagens para destinos fora dos circuitos tradicionais cresceram cerca de 20%, impulsionadas pela procura por maior autenticidade e formatos de “slow travel”.
Em termos geográficos, os Estados Unidos lideram atualmente a recuperação do mercado do luxo, impulsionados pelos consumidores com menos de 35 anos e pelo crescimento da classe média-alta. Já a Europa continua sob maior pressão devido ao impacto da instabilidade geopolítica e da redução do turismo internacional, embora os dados apontem para uma recuperação gradual da procura.
O estudo conclui que o mercado do luxo entrou numa fase de crescimento mais moderado, em que a diferenciação das marcas dependerá cada vez mais da capacidade de criar experiências relevantes, reforçar a ligação cultural aos consumidores e adaptar-se a um ambiente de compra cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.