Depois da Nordea, é o ING a prever a valorização do euro face ao dólar. A projeção da instituição bancária aponta para que a moeda europeia, em 12 meses, cote em 1,20 dólares (atualmente está em 1,17 dólares). BNP Paribas e Goldman Sachs também já tinham projetado, no decorrer deste ano, a desvalorização do dólar face à moeda europeia. Nos últimos 12 meses o euro subiu 4,7% face ao dólar mas quebrou 0,3% desde o início de 2026.
O cenário base traçado, em abril, pelo ING, numa altura em que já decorria a guerra no Médio Oriente, apontava para que o euro no espaço de 1 mês e 3 três meses se situa-se em 1,17 dólares, a seis meses subisse para os 1,18 dólares e a 12 meses volta-se a valorizar para os 1,20 dólares.
O ING referia que com os preços da energia ainda a não recuarem totalmente, uma inflação geral mais elevada "já está precificada", embora os bancos centrais reajam de forma diferente consoante os seus pontos de partida.
"Prevemos uma subida de 25 pontos base [nas taxas de juro] no Banco Central Europeu (BCE), em Junho, enquanto acreditamos que a Reserva Federal norte-americana (Fed) conseguirá resistir à tentação de aumentar as taxas e ainda poderá reduzi-las duas vezes ainda este ano. A modelação dos preços do petróleo, dos diferenciais de taxas e de uma perspetiva benigna para o mercado bolsista leva-nos a previsões estáveis a altas para o par euro/dólar este ano. A desdolarização continua a ser uma ameaça, mas as evidências são escassas até à data", destaca a instituição bancária.
Nordea prevê desvalorização do dólar
Os analistas da Nordea, Sara Midtgaard e Henrik Unell, consideraram, em abril, que a longo prazo os fatores estruturais apontam para um dólar mais fraco. A gestora de ativos previu que o dólar, face ao euro, cote nos 1,22 dólares até final deste ano e até final de 2027 deve continuar a desvalorizar até aos 1,26 dólares.
"As finanças públicas dos Estados Unidos continuam numa trajetória cada vez mais desafiante, com grandes défices orçamentais e a dívida pública a continuar a crescer em relação à dimensão da economia. Ao mesmo tempo, o défice da balança corrente dos Estados Unidos tem aumentado ao longo do tempo, o que significa que o país se tornou cada vez mais dependente de capital estrangeiro para financiar as despesas públicas e privadas", explicavam Sara Midtgaard e Henrik Unell.
Os analistas acrescentaram que face a um défice orçamental e da balança corrente grandes [Estados Unidos] – frequentemente designados por "défices gémeos" – a economia torna-se "mais vulnerável" a alterações nos fluxos de capitais globais. "Se os investidores eventualmente exigirem uma maior compensação pelo financiamento da dívida dos Estados Unidos, ou se as entradas de capital diminuírem, isso poderá exercer pressão descendente sobre o dólar ao longo do tempo", consideraram.
"Apesar do enfraquecimento do dólar norte-americano no último ano, a moeda ainda parece historicamente forte e o prémio de risco continua relativamente baixo. Se os investidores reduzirem gradualmente a sua exposição aos Estados Unidos, isso poderá exercer pressão descendente sobre o dólar", referirem Sara Midtgaard e Henrik Unell.
Em abril, o deputy global CIO, BNP Paribas Wealth Management, Guy Ertz, defendeu que num cenário em que se mantivesse o cessar-fogo [entre Estados Unidos e Irão] "via espaço" para uma desvalorização do dólar. O BNP Paribas estabeleceu o objetivo para o par euro/dólar a três meses de 1,14 e a 12 meses de 1,20.
O outlook do Goldman Sachs para 2026, publicado em janeiro, já antecipava também um enfraquecimento da moeda norte-americana. O banco previa que um desempenho económico dos Estados Unidos menos superior ao anterior deverá conduzir a um dólar menos forte ao longo do tempo. As previsões do Goldman Sachs, para 2035, colocavam o euro/dólar em 1,21 dólares.