O primeiro-ministro prometeu hoje que o Governo tudo fará para “garantir condições” aos que continuam a querer ensinar português no estrangeiro, apontando a língua como “o elo mais eficaz e mais vivo” para manter a ligação entre toda a comunidade.

“Àqueles que continuam a querer ensinar português, que continuam a servir o interesse de Portugal, quero transmitir-vos que nós não deixaremos de tudo fazer para garantir as condições para que esse trabalho possa ser continuado e para garantir que este elo que liga a nossa comunidade”, afirmou Luís Montenegro, numa breve intervenção no Centro Cultural Artikuss de Sanem, no Luxemburgo, onde hoje se juntou à visita do Presidente da República ao país.

À entrada para um encontro com alunos que aprendem português, dois professores e delegados sindicais no Luxemburgo tinham abordado o Presidente da República e o primeiro-ministro para lhe pedirem que olhem “com o coração” para o futuro regime jurídico do ensino do português no estrangeiro.

Bruno Silva, professor e delegado sindical, entregou-lhes uma proposta relativa à rede de ensino português no estrangeiro (EPE), apelando a que a transição para o novo regime seja feita “com cautela”.

“Há um aspeto fulcral que está a pôr em pânico todos os professores que estão neste momento na rede EPE: a transição que tenha de ser feita, tem de ser feita com pés e cabeça, ou seja, não se pode descartar os professores que estão na rede neste momento para o próximo regime jurídico”, disse.

O sindicalista avisou que tem de se assegurar que se mantém a qualidade do ensino português no estrangeiro e que não haja “um ano zero”.

“Vamos aguardar que a negociação corra bem”, disse o primeiro-ministro.

“Vamos analisar”, corroborou o Presidente da República.

Em causa está a possibilidade de redução dos períodos das comissões de serviço e a limitação do número de renovações, sobretudo se aplicadas com caráter retroativo.

Os professores de português no estrangeiro afirmam que a introdução destas limitações criaria um “grave fator de instabilidade estrutural” numa rede que depende da continuidade e do investimento contínuo dos profissionais.

Em maio, a Federação Nacional da Educação (FNE) lamentou, em comissão parlamentar, desconhecer por completo a proposta sobre a alteração do regime jurídico do Ensino de Português no Estrangeiro que está, atualmente, a aguardar parecer do Ministério das Finanças.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, declarou, a 07 de abril, no parlamento, que iria haver uma revolução no ensino da língua portuguesa no estrangeiro.

Na sua breve intervenção, Montenegro partilhou com os cerca de 150 alunos que aprendem português “a alegria e comoção” com que ouviu a forma como falaram de Portugal, depois de várias crianças terem expressado, numa frase, o que significava o país para elas – umas falaram na praia, outras em presentes de Natal e várias na família distante.

“A língua é um elemento fundamental para manter viva essa chama, a língua é um elemento fundamental para nos aproximar. E hoje a língua é também um ativo económico importante para abrir mais horizontes de interação entre o nosso país, a nossa comunidade, as nossas empresas e a nossa rede espalhada pelo mundo”, disse.

O primeiro-ministro salientou que a dimensão de Portugal é maior do que a geográfica e apontou como exemplo a recente eleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente.

“Numa eleição que disputávamos com a Alemanha e a Áustria, fomos o país mais votado”, frisou.

À tarde, Montenegro e Seguro têm um encontro com a comunidade portuguesa no Luxemburgo, o último ponto desta deslocação.

Este é o primeiro Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas assinalado no Luxemburgo e também o primeiro assinalado em conjunto por Seguro e Montenegro.

As comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas prosseguirão depois em território nacional na ilha Terceira (Açores) nos dias 09 e 10 de junho.