O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, entregou à Polícia de Segurança Pública (PSP) o revólver que recebeu como oferta do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante a cimeira da NATO realizada em julho de 2026, em Washington.

A arma, uma peça de coleção de fabrico turco, foi voluntariamente disponibilizada pelas autoridades para que seja submetida a uma perícia técnica e legal, no sentido de determinar se o seu porte e posse por parte do chefe de Governo português viola alguma norma em vigor.

Fontes oficiais do Governo confirmaram que a entrega ocorreu de forma “transparente e preventiva”, e que Montenegro nunca teve intenção de utilizar ou conservar o objeto, tendo optado por entregá-lo de imediato à autoridade policial para esclarecimento cabal da situação.

A PSP irá agora realizar uma análise balística e documental ao revólver, e posteriormente emitir um parecer que será remetido ao Ministério da Administração Interna. Dependendo das conclusões, a arma poderá ser incorporada no património do Estado, devolvida ao ofertante ou, em caso de incompatibilidade legal, destruída.

O episódio reacendeu o debate sobre a legalidade da aceitação de presentes por parte de dignitários nacionais em contexto diplomático, especialmente quando se tratam de objetos sujeitos a controlo apertado como armas de fogo.

Recorde-se que durante a mesma cimeira da NATO, vários líderes mundiais trocaram lembranças protocolares, mas a oferta de Erdogan a Montenegro destacou-se por envolver uma arma, o que gerou polémica nas redes sociais e na comunicação social portuguesa.

O primeiro-ministro, entretanto, já fez saber que não pretende comentar o assunto até que o processo de perícia esteja concluído, e que em futuras deslocações internacionais a sua equipa irá analisar previamente todos os presentes protocolares.