O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que as negociações para o alargamento da União Europeia (UE) à Albânia, Moldávia, Montenegro e Ucrânia estão a avançar de forma “bastante rápida”, embora sem apontar datas concretas para a adesão. A declaração foi feita durante uma audição regimental na Comissão dos Assuntos Europeus da Assembleia da República.

Rangel destacou que, apesar de alguns entraves por parte de França, Alemanha e países do Benelux (Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo), a questão do alargamento “vai pôr-se de forma perentória”, não havendo mais “margem para adiamentos”. A UE já formalizou a abertura de dois novos capítulos nas negociações de adesão da Moldávia, Ucrânia, Montenegro (com previsão de conclusão até ao final de 2026) e Albânia.

O chefe da diplomacia portuguesa também comentou o referendo islandês de 29 de agosto, que visa determinar se a Islândia quer reabrir as negociações de adesão à UE, e não aderir diretamente. Sobre a Ucrânia, Rangel lamentou as reservas de vários países à aprovação do 21.º pacote de sanções à Rússia e destacou a necessidade de preparar o inverno ucraniano, com 80% da capacidade energética afetada. “A solução passa também pelo envio de geradores”, afirmou.

Em relação a críticas do partido Chega sobre migrações e acordos comerciais, como o pacto UE-Mercosul, Rangel defendeu que “Portugal vai proteger o interesse nacional” e que há alternativas à carne brasileira, ativando cláusulas de salvaguarda se necessário. Quanto ao pacto com a Índia, minimizou preocupações, afirmando que o acordo “já traz maior capacidade de rastreio” e ajudará a desenvolver a economia indiana, fixando populações.