O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou que investir na área de soberania “não é uma questão de opção” no contexto geopolítico atual, e defendeu que a NATO continua a ser “a melhor aposta” para Portugal e para a Europa.

Nuno Melo falava num almoço-debate do International Club of Portugal, em Lisboa, subordinado ao tema “O sentido dos investimentos na Defesa em benefício da Economia nacional e do apoio à população civil, num contexto de incerteza geopolítica”.

O governante destacou que, com a diminuição do peso dos EUA na Aliança Atlântica, a Europa é obrigada a aumentar o seu investimento em capacidades militares, após anos focada no Estado social.

“Muito se especula sobre diferentes possibilidades em relação ao nosso futuro. Há quem defenda um exército europeu, há quem defenda novas instâncias de reflexão e pensamento na Defesa na Europa, mas independentemente da dinâmica e de tudo aquilo que eu lhes refiro, se há dúvida, que pelo menos não tenho, é que a NATO continua a ser a nossa melhor aposta”, afirmou.

A menos de uma semana da cimeira da NATO na Turquia, Nuno Melo sublinhou que Portugal é “a frente ocidental da NATO” e que os investimentos em Defesa visam a soberania e o apoio à população civil, lembrando a importância dos cabos submarinos que passam no mar português para a economia global.

Para garantir essa defesa, disse, “a Marinha tem de estar devidamente equipada, a Força Aérea tem de estar devidamente equipada e, na componente terrestre, o Exército tem também grandes exigências que justificam o investimento equivalente”.

“Isto não é uma questão de opção. Não é uma questão de opção. (…) Nós estamos a investir a pensar na paz, mas de forma decidida e decisiva, sem que tenhamos qualquer outra alternativa”, insistiu.

Nuno Melo revelou que Portugal investiu cerca de seis mil milhões de euros em Defesa no ano passado (2,01% do PIB), e que tem disponíveis 5,8 mil milhões de euros no âmbito dos empréstimos europeus SAFE. Dirigindo-se a empresários, classificou o momento como “a oportunidade de uma geração”.

“Façam este caminho connosco e que aproveitem estas oportunidades, não apenas porque lhes vão dar retorno económico ou financeiro, mas porque nós precisamos destas parcerias para podermos assegurar que quando investimos no pilar europeu de Defesa da NATO, Portugal é também uma parcela relevante desse investimento”, sustentou.

Questionado sobre as pressões de empresas como a Lockheed Martin ou a Saab para a compra de caças, Nuno Melo respondeu que o processo “ainda não abriu”.

À margem do evento, perguntaram-lhe se Portugal parte como exemplo de aliado para a cimeira em Ancara, e respondeu: “Partimos como um aliado que se comporta como um aliado (…), honrando compromissos na NATO, estando do lado dos aliados quando os aliados precisam”.