O ministro da Defesa, Nuno Melo, afirmou esta quinta-feira que as recentes declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, sobre a Base das Lajes, nos Açores, “não podem ser lidas literalmente”. A declaração foi feita à margem do Congresso em Alcobaça, onde o governante evitou esclarecer se a autorização para a utilização da base foi dada antes ou depois de Portugal ter conhecimento das operações militares norte-americanas no Irão.

Nuno Melo sublinhou que as conversações entre Lisboa e Washington ocorrem num quadro de cooperação bilateral e que qualquer análise pública deve ter em conta o contexto diplomático mais amplo. O ministro recusou-se a detalhar os prazos ou os termos exatos do pedido americano, remetendo para os canais oficiais de comunicação.

A Base das Lajes, nos Açores, é historicamente utilizada pelos EUA para operações militares, mas o seu uso tem sido objeto de controvérsia política em Portugal, especialmente quando envolve ações militares no estrangeiro. As declarações de Rubio, que sugeriam um alinhamento automático de Portugal com decisões americanas, geraram reações em diversos setores políticos portugueses.

O governo português tem reiterado que qualquer cedência de infraestruturas militares nacionais a potências estrangeiras é feita com base em acordos previamente estabelecidos e dentro do quadro legal. No entanto, a falta de transparência sobre o timing da autorização levantou questões sobre a soberania nacional e o conhecimento prévio por parte das autoridades portuguesas.

Nuno Melo concluiu que o Executivo continuará a prestar informações “nos momentos adequados” e que as relações com os EUA são pautadas pelo respeito mútuo e pelo interesse nacional.