O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), líder de mercado em Moçambique com uma quota de 30%, entra numa nova fase com a aprovação, pelo Banco de Moçambique, da nova composição dos seus órgãos sociais. A nova administração executiva será liderada por José Athayde Furtado, que regressa ao banco após ter integrado a administração entre 2013 e 2020. Como administrador financeiro, foi nomeado o português Pedro Ventaneira, que anteriormente passou pelo Haitong Bank e pelo Banco Montepio.
O Conselho de Administração continuará a ser presidido por Carlos Agostinho do Rosário, antigo primeiro-ministro de Moçambique, como presidente não executivo (chairman), mantendo a supervisão estratégica. O anterior presidente da comissão executiva, Francisco Costa, transita para o Conselho de Administração como vice-presidente não executivo.
José Furtado, que possui mais de 30 anos de experiência no setor financeiro e em organizações internacionais, com passagens por Moçambique, Portugal, Estados Unidos e Reino Unido, afirmou: “Assumo a liderança do BCI com profundo sentido de responsabilidade, mas também com enorme entusiasmo e convicção no futuro desta instituição”, acrescentando o objetivo de construir um banco “ainda mais forte, mais moderno, mais eficiente”.
A nova comissão executiva integra ainda Raul Almeida (da CGD), George Ibraimo Mandawa, Farhana Suleman Razak, Fátima da Conceição, Nuno Pargana (ex-quadro do BPI) e Pedro Ventaneira. Foram também eleitos novos membros da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal.
A estrutura acionista do BCI é maioritariamente controlada pelo grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), que detém mais de 60% do capital através da Caixa Participações e de forma direta, contando ainda com o BPI com uma participação de 35,67%. O BPI admitiu publicamente a intenção de vender esta participação.
João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI, já afirmou que as participações em Angola e Moçambique “não são estratégicas”, acrescentando: “Quando afirmo publicamente que são participações não estratégicas quer dizer que estou disponível para vender”. No ano passado, o BCI deu um contributo negativo de 20 milhões de euros ao BPI devido à deterioração da dívida de Moçambique. O CEO do BPI garantiu que não irá fazer nada sem “informação prévia à CGD”, e já há conversas entre os bancos sobre o assunto.