O preço do barril de petróleo disparou mais de 8% na quarta-feira, impulsionado pelo aumento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão. O fim do cessar-fogo, novos ataques norte-americanos a alvos iranianos e sanções ao petróleo iraniano justificam a forte subida, que levou o Brent a negociar acima dos 78 dólares e o crude a superar os 73 dólares.

Analistas alertam que a escalada do conflito no Médio Oriente pode continuar a pressionar os preços da matéria-prima para cima. “Quanto mais tempo persistir o recrudescimento do conflito, maior será a probabilidade de os preços do petróleo continuarem a subir”, afirmou Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades.

A subida do petróleo reavivou os receios de inflação persistente e de condições financeiras mais restritivas, segundo Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe.

Saul Kavonic, analista de energia da MST Marquee, sublinhou que este aumento “é um lembrete para o mercado de quão frágil” ainda é a passagem pelo Estreito de Ormuz. Já Aneeka Gupta, diretora de investigação macroeconómica da WisdomTree, considerou que o aumento da tensão é um “grande alerta” para os mercados, uma vez que se esperava que o acordo anterior permitisse o regresso do fluxo de petróleo iraniano.

O estrategista de macroeconomia da Bloomberg, Skylar Montgomery Koning, notou que, para ter um impacto significativo nos mercados acionistas, seria necessário um movimento “muito maior” no preço do petróleo.

Novos ataques e sanções agravam cenário

O disparo no petróleo foi desencadeado por três fatores principais:

  • Ataques dos EUA: Os EUA atacaram 80 alvos iranianos na terça-feira, em retaliação a ataques iranianos a três navios no Estreito de Ormuz.
  • Fim do cessar-fogo: O presidente Donald Trump anunciou o fim do cessar-fogo com o Irão, classificando os líderes iranianos de “escumalha e mentirosos”.
  • Sanções ao petróleo iraniano: Os EUA restabeleceram sanções ao petróleo iraniano em resposta às ações do Irão no Estreito de Ormuz.

Carolyn Kissane, vice-reitora do Centro de Assuntos Globais da Universidade de Nova Iorque, afirmou que estes ataques “enviam um sinal ao Irão de que não pode agir impunemente”. Charu Chanana, estrategista chefe de investimento da Saxo Markets, acrescentou que o mercado “pode recuperar um pouco do prémio de risco do Estreito de Ormuz”.