A Polícia Judiciária celebrou 17 contratos, no valor de mais de 2,2 milhões de euros, com a Construbarcelos, empresa do empreiteiro João Carvalho, amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves, avançou o “Observador”.

Segundo o jornal apenas três dos 17 contratos foram adjudicados através de procedimentos com concorrência, tendo os restantes sido celebrados por contratação excluída ou ajuste direto.

A Polícia Judiciária rejeita qualquer irregularidade nos processos de contratação e explica que os trabalhos adicionais resultaram de necessidades identificadas durante a execução dos projetos.

O ministro da Administração Interna disse esta terça-feira estar a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.

“Estou a reunir todos os documentos, tudo aquilo que eu entendo que é relevante para, ponto por ponto, vos esclarecer a todos”, disse Luís Neves, em Viana do Castelo, acrescentando que responderá “em todo o lado”.

“Quero dizer ainda, relativamente a uma investigação que foi aberta, que ainda bem que o foi”, disse ainda, em referência ao inquérito aberto pela Procuradoria-geral da República (PGR) sobre as suspeitas relacionadas com o atrelado encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

“Nos últimos dias tenho vindo a ser alvo de ataques que colocam em causa a minha honra e a minha dignidade”, referiu Luís Neves, numa comunicação aos jornalistas, sem direito a perguntas.

Na passada sexta-feira, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

No mesmo dia, a PGR confirmou “a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado ‘Operação Pacoba’”.

Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.