O país continua a afirmar-se como destino de eleição — e os números da Páscoa de 2026 parecem confirmá-lo com clareza. Dados divulgados pela EasyPark, plataforma integrada na multinacional Arrive, revelam um aumento expressivo da presença de visitantes estrangeiros em território nacional durante aquele que é tradicionalmente o primeiro grande período de férias do ano.

Entre 27 de março e 7 de abril, as transações de estacionamento realizadas por condutores estrangeiros mais do que duplicaram face ao período homólogo, sinalizando não apenas um crescimento do turismo, mas também uma preferência crescente pela mobilidade automóvel. A tendência acompanha o que já se havia verificado no Natal, reforçando a ideia de que Portugal continua no radar dos viajantes europeus.

No que diz respeito à origem dos visitantes, pouco mudou no topo da tabela: Espanha mantém uma liderança destacada, representando 72,4% dos condutores estrangeiros — um aumento de 42% face a 2025. Seguem-se Alemanha, que regista uma subida particularmente significativa (de 17,8% para 40,5%), e França, que, apesar de um crescimento mais moderado, atinge agora os 17% do total.

Também ao nível interno se confirmam tendências previsíveis. Lisboa, Tavira e Cascais surgem como as cidades mais procuradas durante o período pascal, combinando oferta turística consolidada com condições climatéricas favoráveis — um fator apontado pela empresa como determinante para o aumento da procura.

Mas se Portugal continua a atrair estrangeiros, o mesmo não se pode dizer da preferência dos portugueses. Os dados indicam uma mudança relevante nos hábitos de viagem: destinos tradicionalmente populares, como Espanha, perdem terreno para cidades do norte da Europa. Roterdão, Amesterdão e Eindhoven lideram agora as escolhas dos condutores portugueses, com Madrid a surgir apenas na 11.ª posição, atrás de cidades como Antuérpia, Copenhaga ou Berlim.

Para Jennifer Amador Tavares de Sousa, responsável da Arrive para Portugal e Espanha, os números refletem não apenas a atratividade do país, mas também uma transformação mais ampla na forma como os europeus encaram a mobilidade. A facilidade de circulação rodoviária no espaço europeu e a crescente digitalização dos serviços urbanos estarão, segundo a responsável, a impulsionar um ecossistema de mobilidade mais integrado e transnacional.

Num contexto em que as cidades procuram equilibrar o aumento do turismo com a qualidade de vida dos residentes, os dados da EasyPark apontam para um desafio crescente: gerir fluxos cada vez mais intensos sem comprometer a habitabilidade urbana. Um equilíbrio que, à luz destes números, será cada vez mais difícil — e inevitavelmente mais urgente.