Portugal colocou hoje 1.005 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) a 12 meses, com vencimento em julho de 2027, a uma taxa média de 2,682%, acima da registada no leilão anterior.
De acordo com dados do IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, a procura atingiu 2,43 vezes o montante colocado.
No leilão anterior comparável, a taxa média de colocação tinha sido de 2,613%.
O diretor de Investimentos do Banco Carregosa, Filipe Silva, assinalou que “a taxa de colocação subiu ligeiramente face à emissão anterior, enquanto a procura se manteve sólida”.
“O atual contexto geopolítico continua a exercer pressão sobre as taxas de juro e a condicionar a margem de atuação do Banco Central Europeu. A persistência de preços da energia mais elevados tem contribuído para manter os riscos inflacionistas presentes, levando os investidores a reverem sucessivamente as expetativas quanto à trajetória futura da política monetária”, referiu.
Segundo Filipe Silva, “esta maior incerteza tem limitado a possibilidade de uma descida mais expressiva das taxas de mercado, mantendo tanto os prazos mais curtos como os mais longos em níveis relativamente elevados”.
“No curto prazo, as taxas continuam particularmente sensíveis às expetativas sobre as próximas decisões do BCE, enquanto nos prazos mais longos se mantém incorporado um prémio adicional associado aos riscos de inflação, à evolução das necessidades de financiamento dos Estados e à maior incerteza económica e geopolítica”, acrescentou.
“Apesar da ligeira subida da taxa face ao leilão anterior, o nível de procura registado confirma que a dívida portuguesa continua a beneficiar de um interesse sólido por parte dos investidores, num contexto em que Portugal mantém uma posição favorável no universo da dívida soberana da Zona Euro”, concluiu.