Carlos Vicente, managing director da Vitacress, defendeu esta sexta-feira, 17, no 8.º Colóquio Hortofrutícola, promovido pela Lusomorango e Universidade Católica, que a agricultura necessita de uma visão estratégica clara. "Nós precisamos ter uma visão estratégica para a agricultura e termos também a capacidade, a vontade e a liderança para fazer acontecer", afirmou, alertando que os apoios devem ser direcionados com base em prioridades definidas.
A água foi apontada como uma das prioridades, com Vicente a destacar a estratégia de investimentos do Governo, mas a questionar o futuro do setor: "A Água que Une é um grande projeto, mas não estou bem claro qual é que é o futuro da nossa agricultura".
A Vitacress, com cerca de 300 hectares de produção em Odemira, enfrenta desafios climáticos, como tempestades e excessos de temperatura. Vicente sublinhou a importância de desenvolver estratégias de resiliência e crescimento, apostando na tecnologia para aumentar a competitividade: "Com tecnologia sabemos que conseguimos fazer mais com menos".
O gestor destacou ainda a dificuldade em obter mão de obra qualificada na região, devido à falta de habitação, e defendeu que o Estado deve apoiar empresas sem discriminação, oferecendo infraestrutura e incentivos.
No mesmo painel, Helena Cortes Cavaco, vice-presidente da CCDR Alentejo, considerou positiva a resposta do Estado à tempestade Kristin, mas admitiu a necessidade de desburocratizar. Já Luís Souto Barreiros, presidente do IFAP, alertou para a necessidade de novos modelos de apoio, mais flexíveis e ágeis, face aos riscos climáticos crescentes.
O colóquio, que decorreu em São Teotónio, Odemira, concluiu que os seguros devem ser mais flexíveis, a tecnologia deve ser mais absorvida pelo setor, e a comunicação precisa ser melhorada, abandonando a melancolia.